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Quem trabalhou em feiras e eventos teve maior percentual de aumento real no salário, segundo Salariômetro da Fipe — Foto: Divulgação
80,1% dos reajustes salariais realizados em 2018 foram corrigidos acima da inflação; fechamento de negociações entre patrões e empregados caiu 21,9% em relação a 2017. (Por Marta Cavallini, G1)
Quem trabalhou com feiras, eventos e divulgações, na indústria de joalheria e em bancos e serviços financeiros teve o maior ganho real nos salários em 2018.
Pesquisa “Salariômetro”, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostra que 80,1% dos reajustes salariais realizados em 2018 foram corrigidos acima da inflação.
De acordo com o levantamento, apenas 8,7% das negociações fechadas no ano passado resultaram num reajuste salarial abaixo do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que é o índice de referência para a correção de salários. Em 11,2% das negociações, o reajuste foi igual ao INPC. Somadas estas duas fatias, 19,9% foi a proporção de reajustes sem ganho real.
Negociações salariais em 2018
Distribuição dos reajustes concedidos, em %
Proporção de reajustes abaixo do INPC: 8,7
Proporção de reajustes iguais ao INPC: 11,2
Proporção de reajustes acima do INPC: 80,1
Fonte: Salariôetro/Fipe
Veja categorias com aumento salarial acima da inflação:
Feiras, eventos e divulgações: 2,94%
Indústria de joalheria: 1,8%
Bancos e serviços financeiros: 1,31%
Administração pública: 1,26%
Distribuição cinematográfica: 1,14
Construção Civil: 1,03%
Indústria metalúrgica: 1%
Publicidade e propaganda: 1%
Condomínios e edifícios: 0,94%
Hospitais e serviços de saúde: 0,94%
Bares, restaurantes, hotéis e turismo: 0,94%
Limpeza urbana, asseio e conservação: 0,94%
Radiodifusão e televisão: 0,94%
Venda, compra, locação e administração de imóveis: 0,88
Energia elétrica / Utilidade pública: 0,87%
Organizações não governamentais: 0,83%
Vigilância e segurança privada: 0,74%
Artefatos de borracha: 0,74%
Comércio atacadista e varejista: 0,69%
Educação, ensino e formação profissional: 0,69%
Agricultura, pecuária, serviços agropecuários e pesca: 0,69%
Serviços a terceiros e fornecimento de mão-de-obra: 0,54%
Indústria cinematográfica e fotografia: 0,52%
Assessoria, consultoria e contabilidade: 0,51%
Transporte, armazenagem e comunicação: 0,51%
Refeições coletivas: 0,51%
Seguros privados: 0,48%
Indústria do vidro: 0,44%
Gráficas e editoras: 0,44%
Indústrias de alimentos: 0,44%
Indústria química, farmacêutica e de plásticos: 0,31%
Comércio de derivados de petróleo: 0,31%
Indústrias extrativas: 0,29%
Estacionamentos / Garagens: 0,26%
Cemitérios e agências funerárias: 0,26%
Empresas jornalísticas: 0,25%
Telecomunicações e tecnologia da informação: 0,23%
Papel, papelão, celulose e embalagens: 0,23%
Fiação e tecelagem: 0,19%
Confecções / Vestuário: 0,14%
Reparação de eletroeletrônicos: 0,01%
Outras indústrias: 0,01%
Despachantes e Autoescolas: 0%
Agronegócio da cana: 0%
Artefatos para pesca e esporte: 0%
Extração e refino de petróleo: 0%
Lavanderias e tinturarias: -0,19%
No acumulado do ano, o INPC teve alta de 3,43%. A inflação oficial do país fechou em 3,75%.
O reajuste mediano nominal foi de 3% em 2018, com piso salarial médio de R$ 1.241. Em 2017, havia sido de 4,7% (R$ 1.225).
Segundo a Fipe, os semestres foram distintos em 2018 - no 1º, a inflação foi baixa com ganhos reais altos nos salários, e no 2º a inflação subiu e os ganhos reais “minguaram”.
Por estados
Ceará e Roraima foram os estados com maior percentual de reajuste acima da inflação em 2018. Pernambuco ficou na lanterna.
Reajustes acima da inflação por Unidades da Federação:
Ceará: 0,94%
Roraima: 0,94%
Alagoas: 0,89%
Amapá: 0,89%
Maranhão: 0,89%
Mato Grosso do Sul: 0,81%
Mato Grosso: 0,81%
Paraná: 0,81%
Rio de Janeiro: 0,81%
Rio Grande do Norte: 0,81%
Rondônia: 0,81%
Rio Grande do Sul: 0,81%
Sergipe: 0,81%
São Paulo: 0,81%
Tocantins: 0,57%
Pará: 0,54%
Minas Gerais: 0,49%
Santa Catarina: 0,48%
Distrito Federal: 0,45%
Amazonas: 0,44%
Acre: 0,41%
Espírito Santo: 0,39%
Piauí: 0,35%
Bahia: 0,31%
Goiás: 0,31%
Paraíba: 0,31%
Pernambuco: 0,25%
Acordos e convenções coletivas
Em 2018, o fechamento de negociações caiu 21,9% em relação a 2017 - o número de acordos e convenções concluídas e protocoladas no então Ministério do Trabalho chegou a 29.346 ante 37.565 em 2017.
O impasse foi mais frequente nas convenções, no início do ano, mas a proporção acabou se igualando à dos acordos no final.
As convenções precisam ser aprovadas pelos sindicatos dos trabalhadores e patronais da categoria para ter validade e, por isso, são mais difíceis de serem concluídas. Os acordos envolvem apenas o sindicato e a empresa.
O 2º semestre é marcado pelas negociações de categorias importantes - como bancários, metalúrgicos e químicos -, e impactam milhares de trabalhadores. Os resultados dos pleitos costumam servir de referência para outros sindicatos.
A reforma trabalhista, que entrou em vigor em novembro de 2017, obrigou sindicatos patronais e de trabalhadores a reverem ponto a ponto as convenções coletivas, já que deixou de garantir os benefícios adquiridos.
A mudança na legislação trabalhista também determinou que as convenções e acordos prevalecem sobre a legislação em pontos como jornada de trabalho, intervalo, banco de horas, plano de carreira, home office, trabalho intermitente e remuneração por produtividade.
O levantamento da Fipe identificou também 55 acordos no ano com redução de jornada e salário.
A contribuição para sindicatos de trabalhadores foi o terceiro item mais frequente nas negociações. Perdeu (por pouco) apenas para reajuste e piso.
Um dos principais entraves para a concretização das negociações tem sido a interpretação pelos sindicatos dos trabalhadores com relação à possibilidade de cobrança da contribuição sindical. A dúvida é se ela pode valer para todos se aprovada em assembleia.
Antes da reforma, a contribuição sindical era um desconto obrigatório que equivalia a um dia de trabalho. Agora a autorização para o desconto da contribuição sindical tem de ser expressa e individual pelo trabalhador.
Assuntos mais negociados em 2018:
Reajuste: 56,3%
Piso: 52,3%
Contribuição para sindicatos de trabalhadores: 49,8%
Alimentação: 38,5%
Adicional de hora extra: 38,3%
Adicional noturno: 31,6%
Auxílio Funeral/Morte: 29,7%
Auxílio Transporte: 25,6%
Banco de horas: 24,1%
PLR: 21,7%
(Fonte: G1)
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