• 16 de julho de 2019, 09:23
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Últimos indicadores preocupam e apontam recessão econômica iminente

(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press) 

Dados fracos de indústria, comércio e serviços, principais motores do crescimento, apontam para queda do Produto Interno Bruto no segundo trimestre. Para especialistas, é preciso priorizar o avanço de privatizações e da reforma tributária (Por Simone Kafruni)

O Brasil mal saiu de uma recessão e já caminha para outra. Os dados de maio dos três principais setores produtivos — indústria, comércio e serviços — mostram a paralisia da economia. Para alguns especialistas, o fraco desempenho das atividades terá impacto no Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2019, que pode ser negativo. Como nos primeiros três meses do ano, o indicador, que representa a soma de toda riqueza produzida no país, recuou 0,2%, serão dois trimestres seguidos de queda, o que configura recessão técnica.

O volume de serviços no Brasil ficou estável (0,0%) em maio na comparação com o mês anterior, após ter avançado 0,5% em abril, quando interrompeu três taxas negativas seguidas, com perda acumulada de 1,6%, divulgou nesta sexta-feira (12/7) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção industrial caiu -0,2%, e as vendas do comércio recuaram 0,1% na mesma comparação, de acordo com outras duas pesquisas do órgão. Apenas o varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, teve alta de 0,2% em maio.

Para André Perfeito, economista-chefe da Necton, o país está entrando numa recessão técnica. “Os dados são muito fracos, indústria caiu, varejo, também, serviços no zero a zero. Pelo nosso modelo de projeção, o PIB terá queda de 0,1% no segundo trimestre, após a contração de 0,2% no primeiro”, destacou.Continua depois da publicidade

Conforme Rodrigo Lobo, gerente da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, o setor está 1,1% abaixo do patamar de dezembro de 2018. “Houve perda de dinamismo, sobretudo no segmento de transportes (-0,6%), que recua pelo segundo mês consecutivo 0,6%”, disse.

Fabio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), destacou que o quadro é preocupante. “Os três motores pela ótica da oferta continuam apresentando desempenhos decepcionantes”, assinalou. O especialista lembrou que serviços e indústria, juntos, representam mais da metade do PIB brasileiro. “Com zero contribuição do comércio, a leitura é que a economia não saiu do lugar”, afirmou.

Antes da última safra de dados, a CNC projetava alta de 0,2% no PIB do segundo trimestre. “Como os dados vieram fracos, vai dar algo próximo de zero. O primeiro semestre foi perdido”, lamentou Bentes. Para o ano, a previsão é de alta de 0,9%, que pode ser revista para 0,7% ou 0,8%.

Segundo Flávio Castelo Branco, gerente executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor está no patamar de oito anos atrás. “Estamos estagnados depois de uma grande recessão. É como se o país tivesse caído 10 degraus e não conseguiu se equilibrar para subir de volta”, comparou.

Castelo Branco destacou que o setor industrial perdeu participação no PIB. “Mas toda a economia está parada. A demanda não se recuperou. As famílias melhoraram, mas não recuperaram o consumo. As empresas estão produzindo menos e não investem, porque há capacidade ociosa”, explicou.

No entender de Julio Gomes de Almeida, diretor executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), tecnicamente é cedo para se falar em recessão. “Não temos os dados de dois trimestres seguidos. A indústria, sim, porque já acumula quedas seguidas. Serviços e comércio, ainda não. Em maio, é tudo muito próximo de zero”, alertou.

Almeida ressaltou, contudo, que se dependesse da indústria, o país já estaria em recessão. “Agora, o comércio, no acumulado, cresceu 0,7% após expansão de 3,2% no mesmo período do ano passado. Ou seja, não está no negativo, mas está perdendo velocidade. O setor de serviços demorou mais para entrar em crise, mas também é o último a se recuperar”, avaliou. “Ou seja, a indústria anda de ré, o comércio está desacelerando fortemente, e os serviços estão andando de lado. Se isso vai dar em recessão? Minha opinião é que esse quadro não muda em 2019. Vamos fechar cinco anos em crise”, opinou.

Para o país reagir, conforme Castelo Branco, é preciso que o governo priorize uma agenda mais ativa. “A reforma da Previdência andou, mas está travando todo o resto. É preciso que outras pautas avancem, como as privatizações, a reforma tributária. Há espaço para um corte de juros. Precisamos de novas fontes de financiamento. Alguma coisa precisa ser feita para tirar a letargia da economia”, destacou o gerente da CNI.

Paralisia: Produção industrial, volume de vendas do comércio e de serviços estão estagnados
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Serviços
Período Variação (%)-Volume-Receita Nominal
Maio 19 / Abril 19*-0,0-0,6
Maio 19 / Maio 18-4,8-9,2
Acum. Janeiro-Maio-1,4-5,1
Acum. 12 Meses-1,1-4,3

Indústria
Período-Variação produção (%)
Maio 19 / Abril 19*--0,2
Maio 19 / Maio 18-7,1
Acum. Janeiro-Maio--0,7
Acum. 12 Meses-0,0

Comércio
Período    Varejo    Varejo Ampliado**

Volume de vendas    Receita    Volume de vendas    Receita
Maio / Abril*/-0,1/0,8/0,2/0,9
Média móvel trimestral*/-0,1/0,5/0,5/0,9
Maio 2019 / Maio 2018/1,0/5,8/6,4/10,0
Acumulado 2019/0,7/5,0/3,3/6,7
Acumulado 12 meses/1,3/5,3/3,8/7,0 (Fonte: IBGE)

(Fonte: Correio Braziliense)
 


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