• 19 de agosto de 2015, 09:25
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Presidente do Banrisul promete concurso público e novo processo de migração na FBSS

 
Dirigentes sindicais foram recebidos na Direção Geral, nesta quinta-feira
 
 

 


Após 128 dias de gestão, o presidente do Banrisul, Luiz Gonzaga Veras Mota, finalmente recebeu dirigentes do SindBancários e da Fetrafi-RS para uma conversa sobre problemas e perspectivas de atendimento de demandas históricas dos banrisulenses. Por 2h40min, na tarde da quinta-feira, 13/8, representantes da Fetrafi-RS e SindBancários cobraram medidas relacionadas à melhoria do ambiente de trabalho, questionaram a cobrança de metas e a precarização do atendimento nas agências. Os dirigentes também cobraram a abertura do novo processo de migração na Fundação Banrisul (FRBSS) e a realização de concurso público urgente.

 

O presidente do Banco se mostrou receptivo ao atendimento das demandas e se comprometeu de realizar a nova migração na Fundação Banrisul no primeiro semestre de 2016. Quanto ao concurso público, ele diz que o processo já está em andamento. Veras Mota também ficou de dar uma resposta para definição de um calendário de negociação específica durante a Campanha Salarial.

Os dirigentes fizeram uma ressalva em relação ao calendário de migração, destacando a importância de consultar as bases sindicais para saber se os banrisulenses estão de acordo com a proposta do presidente.

A reunião na sala da presidência, localizada no 4º andar da DG, teve cobranças por parte dos representantes dos banrisulenses, enquanto o presidente da instituição recebeu as demandas com cordialidade. Como é costume entre banqueiros e dirigentes no sistema financeiro, reclamou da conjuntura econômica e mencionou a palavra crise logo no início do encontro.

Já o diretor da Fetrafi-RS, Carlos Augusto Rocha, observou a demora do presidente para receber o movimento sindical. "Embora tardiamente, o senhor está nos recebendo. Estamos vendo as relações de trabalho nas agências do Banrisul se deteriorarem. O ambiente de trabalho está ficando ruim devido à precarização causada pela redução do número de caixas e aumento de filas. Questões como esta já poderiam ter sido encaminhadas se a diretoria do Banco tivesse nos recebido há alguns meses”, sentenciou Rocha.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, comentou casos de banrisulenses da ativa, aposentados e afastados por doença, que estão sofrendo muito por terem perdido o prazo da primeira migração, salientando que o processo precisa ser realizado junto à Fundação Banrisul com urgência. "A nossa preocupação é com a vida das pessoas. É preciso urgência porque as pessoas estão correndo grande risco de perder a aposentadoria. Há colegas que estão abrindo mão da aposentadoria por estarem pagando um valor muito alto e não têm condições de esperar mais”, explicou.

Neste momento, Veras Mota, que estava assessorado por Gaspar Saikoski, Superintendente Executivo da Unidade de Gestão de Pessoas, disse que o banco já está realizando estudos sobre o impacto financeiro junto à Fundação Banrisul. Segundo o gestor, o Banrisul pretende abrir ainda este ano um novo processo de negociação através de uma comissão tripartite (formada por representantes sindicais, da Fundação e do Banco) para estabelecer critérios técnicos e iniciar a abertura de nova migração. "A ideia é abrir prazo em janeiro, inclusive um prazo maior de migração para dar tempo. A escolha de janeiro é pelo efeito fiscal. É o melhor mês. O processo será aberto este ano para efetivar a migração em janeiro”, disse o presidente do banco.

Plano de Carreira

A diretora da Fetrafi-RS, Denise Falkenberg Corrêa, lembrou da história de negociação que envolveu a criação da proposta de Plano de Carreira durante quatro anos em um Grupo de Trabalho constituído por representantes do banco e dos banrisulenses. "Foram quatro anos de trabalho para construirmos uma proposta realmente consistente de Plano de Carreira. Fizemos seminários, assembleias e cumprimos todas as etapas. Esperamos um compromisso com a implantação, que contemple a participação dos dirigentes sindicais. Porque, desta vez, o processo não será tão demorado. Já temos um ponto de partida”, avaliou a diretora.

O presidente do Banrisul não se comprometeu a estabelecer prazos sobre este ponto, chegando a falar em segundo semestre. Ouviu dos outros dirigentes que o Plano de Carreira é muito bom para os funcionários e para o banco. "Hoje a estrutura de comissionamento e de promoção é uma fábrica de passivos judiciai. O Plano de Carreira é uma pauta importante para o banco e para os funcionários. Precisamos retomar o Grupo de Trabalho e implementar a proposta. O Plano de Carreira vai deixar os funcionários mais satisfeitos e mais motivados”, ressaltou a diretora de Comunicação do SindBancários, Ana Guimaraens.

Veras Mota disse que há uma disposição do banco em negociar o Plano de Carreira, mas preferiu não estabelecer prazos de negociação e implantação. Os dirigentes sindicais lembraram que o Plano de Carreira já poderia estar sendo negociado para que houvesse tempo de levar uma proposta às assembleias para explicar detalhadamente as regras de promoção por tempo, por merecimento e os critérios de reajuste das várias fases de promoção (como steps e interstício).

Concurso público

O presidente Luiz Gonzaga garantiu que novo concurso público será realizado até o final do ano. O processo estaria em fase final de elaboração do edital de chamada pública. Os dirigentes sindicais disseram que estarão atentos aos movimentos do banco e cobrarão celeridade no processo.

Privatização

Se a ameaça de privatização do Banco pelo governo Sartori depender da promessa do presidente do Banrisul, os Banrisulenses e os gaúchos podem ficar tranquilos. O presidente do banco foi enfático e disse aos dirigentes sindicais que "não existe esta hipótese”. Os sindicalistas disseram que vão continuar atentos aos movimentos políticos na Assembleia Legislativa e aos Projetos de Lei do Governo Sartori, que possam derrubar a cláusula da Constituição Estadual que obriga a realização de plebiscito antes da venda de qualquer patrimônio público.

GMD

Gaspar Saikoski disse que o fechamento de caixas em agências obedece a dados técnicos. Segundo ele, há 1.881 caixas no Banrisul. Já o presidente do Banco deu mais detalhes. Segundo o gestor, o fechamento de caixas ocorre porque há muita demanda em períodos de pico (entre o dia 30 do mês anterior até o dia 15 do mês seguinte) e que nos outros dias há redução pela queda do número de clientes. O presidente também destacou que nos centros de maior atendimento haverá abertura de novas agências.

Os dirigentes sindicais argumentaram que nas agências está chegando a ordem de reduzir caixas para atingir metas de redução de custos (GMD). Eles relataram a rotina de reclamação dos clientes por causa das filas, inclusive com denúncias ao Sindicato, o que prejudica a imagem do Banrisul.

*Imprensa/SindBancários com edição da Fetrafi-RS 
Texto e fotos: Clóvis Victoria

 


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