• 15 de maio de 2018, 10:19
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Presidente do Banrisul não explica obscuridades da venda de ações do banco

​Nervoso, em entrevista à Rádio Gaúcha, Luiz Gonzaga Mota não explica pontos obscuros da venda de ações do banco

Sob pressão da opinião pública e de órgãos de fiscalização, após as denúncias feitas pelo Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários) e pela Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul (Fetrafi-RS) sobre irregularidades na venda de ações do Banrisul nos dias 10 e 27 de abril, o presidente do banco, Luiz Gonzaga Mota, concedeu entrevista ao programa “Gaúcha Atualidade”, da Rádio Gaúcha, na manhã de sexta-feira (11). Ele afirmou que os administradores do banco estão “muito tranquilos”, mas chegou a gaguejar em alguns momentos mostrar-se intranquilo ao mencionar aspectos mais nebulosos das transações. Vale recordar que o banco realizou leilões de ações nos dias 10 (ações preferenciais) e 27 (ações ordinárias) do último mês de abril.

Muitas questões não foram abordadas com firmeza durante a entrevista – como a razão do Banrisul divulgar a desistência da oferta pública de ações e já no dia seguinte realizar o leilão das ações. Luiz Gonzaga argumentou que a iniciativa sem o devido anúncio se justificava por se tratar de um “esforço restrito, um lote pequeno, que não justificava fazer um ‘road show’ de investimentos”.

BTG Pactual
Sobre o Banrisul ter contratado a BTG Pactual para realizar os leilões, a pedido do governo do Estado, apesar de o banco público ter a sua própria corretora, Gonzaga Mota não convenceu ao responder que o BTG foi contratado porque “é o maior banco de investimentos da América Latina”. Também não respondeu, até porque não lhe foi questionado, qual o motivo de não ter sido realizada licitação para realizar a venda das ações do banco.

Mesmo sem a participação de outros setores do mercado no leilão, por falta de anúncio prévio, o diretor do banco procurou caracterizar a comercialização de cerca de 3 milhões de ações ordinárias (com direito a voto), por R$ 17,65 como um bom negócio para o Estado e o banco. Isto, apesar do preço alcançado representar um valor 31% abaixo do pregão do dia anterior.

Processo na CVM
A respeito do processo instalado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – número 19957.005033/2018-11 (SP2018/199), na Gerência de Orientação aos Investidores 2 – para verificar as irregularidades no processo, apesar de garantir que estava tranquilo, o presidente do banco mostrou nervosismo: “A CVM ainda não se pronunciou nem nos questionou. Mas isso é normal, se o questionamento vier estaremos tranquilos”, gaguejou Gonzaga. A rigor, como Mota sabe muito bem, a CVM não costuma abrir investigação sobre estas denúncias a não ser quando as evidências de irregularidades são fortes.

Na verdade, apesar do esforço de convencimento do presidente do banco, fica claro que os leilões estão inseridos num processo disfarçado de privatização do Banrisul.

Como argumenta o presidente do SindBancários, “se a CVM aceitou abrir investigação sobre este processo é porque há muitos pontos obscuros que precisam ser esclarecidos”. Para Everton Gimenis, “é decepcionante ver um funcionário de carreira do Banrisul mostrar-se conivente com a venda e o desmonte do patrimônio público”. Mas Gimenis se mostra convicto de que a série de denúncias e pedidos de providências encaminhados pelo Sindicato e Fetrafi-RS vão esclarecer os pontos nebulosos destes leilões carregados de dúvidas.

Ouça a seguir íntegra da entrevista do presidente do Banrisul ao Programa Gaúcha Atualidade:

Fonte: SindBancários/RS


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