Reunião na segunda-feira, 24/5, vai organizar mobilização estadual para possível votação da retirada do plebiscito na Assembleia Legislativa no dia seguinte
Os Banrisulenses já sabem que o banco público dos gaúchos está na mira do governador Eduardo Leite e de sua base governista na assembleia Legislativa. Também está familiarizado com o fato de que a liberação do atendimento nas agências bancárias com o novo sistema de controle do governo é uma estratégia para tirar o foco da nossa luta em defesa do Banrisul público.
Pois agora é preciso botar o bloco na rua e mostrar para o governador e deputados que não se entrega o Banrisul a troco de banana. Nesta segunda-feira, às 18h30, os Banrisulenses de todo o Estado estão convidados a participar da plenária permanente em defesa do Banrisul público e contra a Pec 280/2019.
A reunião será à noite e numa data decisiva para o futuro do Banrisul público. Isso porque, na terça-feira, 25/5, o dia seguinte à nossa plenária, a PEC 280/2019, deve ir a plenário na Assembleia Legislativa e cumprir o rito do segundo turno de votações. Para aprovar a PEC 280/2019, o governo precisa de três quintos dos votos dos 55 deputados, um total de 33 votos.
E mais: os governistas têm muita pressa. Na mesma terça-feira, 25/5, pela manhã eles querem fazer o pedido de anulação da sessão da vergonha, como ficou conhecida a votação em primeiro turno da PEC 280/2019, tramitar de forma muito rápida na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Então, pela manhã eles sonham em se livrar do pedido de anulação feito pela oposição por causa de dois votos irregulares no primeiro turno em 27/4, e, à tarde, já pensam em votar a PEC 280 e liberar a venda do Banrisul, Procergs e Corsan.
A pressa faz todo o sentido. Primeiro, é um plano nacional que junta o governo Leite com o de Bolsonaro e segue uma metáfora do ministro do meio-ambiente, Ricardo Salles. Eles querem passar a boiada das privatizações durante a pandemia para as pessoas não se darem conta do crime con6tra o patrimônio público que estão cometendo.
Por outro lado, o governador Eduardo Leite precisa resolver logo a questão da PEC porque ele fez uma aposta muito alta. Apostou a vida e a saúde dos gaúchos ao acabar com o já precário sistema de bandeiras do Distanciamento Controlado para o combate à Covid-19 e flexibilizar a mobilidade com o novo sistema.
Os bancários, por exemplo, passam a ter que atender de acordo com a capacidade da agência. O agendamento e a manutenção de 50% dos colegas da agência em trabalho presencial deixaram de valer dia 16/5.
Agora, o atendimento está liberado desde que a agência respeite a presença de um cliente a cada quatro metros quadrados. O problema é que uma agência com 100 metros quadrados e dois andares poderá estar liberada para atender 80 ou mais pessoas, quer dizer, promover aglomerações entre 30 funcionários e 40 ou até 50 clientes no mesmo ambiente e dar chance para o coronavírus ameaçar saúde e vidas.
Leite tem pressa também porque os números da Covid-19 começam a crescer de novo no Estado. E, por certo, ano que vem vai ficar muito ruim para suas pretensões eleitorais se uma terceira onda começa a matar e adoecer muitos gaúchos depois que ele flexibilizou o controle do novo coronavírus para vender Banrisul, Procergs e Corsan.

Taxa de casos por 100 mil habitantes
30 de abril: 8.403 doentes por 100 mil habitantes do RS.
20 de maio: 9.176 doentes por 100 mil habitantes do RS.
Depois da sessão plenária da vergonha (27/4), a taxa de doentes de Covid-19 aumentou 9,2%.
Número de mortos por 100 mil habitantes
30 de abril: 219,31
20 de maio: 237,59
Depois da sessão plenária da vergonha (27/4), a taxa de mortes por Covid-19 por 100 mil habitantes aumentou 8,3%.
Número de casos de Covid-19 confirmados no RS
30 de abril: 974.969
20 de maio: 1.043.927
Depois da sessão plenária da vergonha (27/4), o número de casos de Covid-19 passou de 1 milhão, aumentando 7,1%.
Taxa de mortalidade por 100 mil habitantes
27 de abril: 214,97 mortos por Covid-19 por 100 mil habitantes.
20 de maio: 237,59 mortos por Covid-19 por 100 mil habitantes.
Depois da sessão plenária da vergonha (27/4), a taxa de mortalidade por 100 mil habitantes aumentou 10,5%.
Ocupação de UTIs
Desde a sessão plenária da vergonha, tivemos uma queda no percentual de leitos de UTIs ocupados, quer dizer, hospitalizações por doentes de Covid-19. Em 27 de abril, dia da votação da vergonha, eram 85,1% de leitos de UTIs ocupados no Estado.
Este número caiu até 77,3% no dia da apresentação oficial do Sistema 3As no lugar do Distanciamento Controlado por cores de bandeiras, dia 16 /5. Na quinta-feira, 20/5, a hospitalização voltou a subir, batendo em 78,7%, quer dizer, 1,4 ponto percentual superior ao registrado quatro dias antes.
Novos casos e mortes desde a votação da vergonha
Depois que Leite trocou votos pelo fim do Distanciamento Controlado por cores de bandeiras para retirar o plebiscito da Constituição Estadual e entregar Banrisul, Procergs e Corsan foram registrados 78,9 mil novos casos de Covid-19 no Estado.
Em 24/4, o RS registrava o total de 24.196 mortos por Covid-19. Os dados de 19 de maio, fechados na quinta, 20/5, mostram que chegamos a 27.031 mortos. Quer dizer, desde a votação da vergonha, ao menos, 2,5 mil gaúchos morreram por Covid-19.
Saiba por que a sessão de 27/4 ficou conhecida como a votação da vergonha da PEC 280
> O deputado Dirceu Franciscon (PTB) votou não, contra a PEC 280, mas seu voto foi computado como sim.
> O deputado Neri o Carteiro (Solidariedade) não estava presente na sessão, mas teve seu voto contado como sim.
> O governador Eduardo Leite cedeu à pressão de deputados da base governista, especialmente do partido Novo, e rebaixou a bandeira de preta para vermelha do isolamento, atendendo a pedido de liberação das aulas.
> O governador Eduardo Leite reuniu deputados de sua base e ofereceu um kit asfalto em troca da garantia dos 33 votos necessários para atingir a proporção de três quintos dos deputados para aprovar a PEC 2890/2019.

Fonte: Imprensa SindBancários



