• 03 de fevereiro de 2017, 09:49
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Plenária em Defesa do Banrisul Público reúne dezenas no SindBancários

 

 
Banrisulenses definiram próximos passos da mobilização
 
 

Dezenas de banrisulenses e outros bancários participaram na noite desta terça-feira, 31/01, na sede do SindBancários, de uma grande Plenária em Defesa do Banrisul Público, ameaçado pelas políticas privatistas do governo Sartori e pela pressão do governo federal, que quer condicionar a negociação da dívida do estado à venda do banco. Após uma reunião do Comando Nacional dos Banrisulenses na manhã de terça, na sede da Fetrafi-RS, a Plenária da noite no Sindicato trouxe novas sugestões estratégicas de defesa, que necessariamente passam pela ampla participação dos empregados do banco. Uma das decisões de consenso é que já na próxima semana será novamente instalada a barraca do SindBancários na Praça da Matriz, entre o Palácio Piratini e a Assembleia Legislativa. 
O deputado Zé Nunes (PT), presente à Plenária, informou que já está colhendo assinaturas para a criação de uma Frente em Defesa do Banrisul Público. Ex-prefeito de São Lourenço por dois mandatos, o deputado informou que a Frente já obteve a assinatura de 12 parlamentares – "mas vamos passar dos 20”, afirmou. Nunes disse que é preciso conversar mais com os deputados do PDT, partido que tem uma tradição histórica de lutas pelas causas populares. E sugeriu: "Temos que espraiar também esta campanha em todo o Interior do estado, nas câmaras de vereadores. Fazer a disputa em todos os espaços, mas para isso precisamos ter muito material de informação e uma argumentação muito forte, pois a grande mídia faz um trabalho diário que procura colocar a culpa da crise nas empresas e nos serviços públicos”, lembrou.

Nunes recordou que a ex-governadora Yeda Crusius conseguiu vender 43% das ações do banco, ao abrir o capital do Banrisul em 2006. "Hoje, falam que o Santander teria interesse em adquirir o restante do nosso banco estadual. A ideologia neoliberal, do governo golpista de Temer, está forçando para que isto seja feito”, concluiu.

Para o presidente do SindBancários, Everton Gimenis, o que vemos hoje, no estado, é mais do mesmo. "É a velha política do PMDB, que prega o caos para depois poder acabar com as estruturas do estado, reduzir o patrimônio público e os empregos”, disse. Ele lembrou os anos 90, quando o governador Antônio Britto (PMDB) chorou frente às câmeras de TV jurando que não iria vender nem extinguir instituições estaduais – mas vendeu a CRT, parte da CEEE e extinguiu a Caixa Estadual. E, não por acaso, seu líder na Assembleia Legislativa era o mesmíssimo José Ivo Sartori.

Sartori já extinguiu 8 fundações estaduais – que só seguem funcionando com liminares da Justiça do Trabalho. "Ou seja, ele conseguiu”, disse Gimenis. "E nós só vamos barrar a venda do Banrisul indo para a rua fazer a defesa do banco junto à sociedade, com mobilização e conscientização”, reforçou o presidente. "Estivemos com nossa barraca na Praça da Matriz no mês de dezembro, junto a Frente em Defesa das Estatais e do Serviço Público, levando bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e gás de pimenta. E vamos voltar para lá, pois aconteceu o que a gente temia: se passasse na Assembleia a extinção das fundações públicas, o Banrisul e o Badesul seriam os próximos da lista. Não vamos permitir”.

Gimenis destacou que o SindBancários continua mobilizado também nas mídias, com spot em defesa dos bancos estatais na Rádio Guaíba; com a publicação de carta aberta de meia página no Correio do Povo no último dia 30, com vídeos na internet que somam mais de 100 mil visualizações.

Plebiscito

O deputado Zé Nunes ressaltou a importância da cláusula na Constituição Estadual que exige realização de plebiscito para a venda ou extinção de empresas estatais. "Se não fosse por isso, o Banrisul já teria sido vendido”, disse ele. "A direita não conseguiu força política para aprovar uma PEC que altere esta cláusula da Constituição. Mas a ameaça continua”. Antes de deixar a plenária dos banrisulenses, o parlamentar ainda lembrou seu tempo de prefeito: "Os bancos públicos são fundamentais para os pequenos municípios. Acho que não há um município do Rio Grande do Sul que não tenha ao menos um projeto financiado pelo Badesul”.

Empresariado

O ex-governador do estado e banrisulense Olívio Dutra, presente à plenária no Sindicato, defendeu que também o empresariado gaúcho seja procurado: "Muitos empresários têm no Banrisul um aliado para os seus negócios. Eles também perdem com a extinção do banco”, pontuou.

Olívio ressaltou que os governos entram e saem, mas as empresas públicas ficam. "Elas são ferramentas do estado, e não deste ou daquele governo”, afirmou. "Temos saída para as crises nos municípios, estados e no país, mas elas não passam pela privatização, e sim pelo controle público. Precisamos de mais democracia, e não do contrário”, finalizou.

Contribuições ao debate

Vários banrisulenses e sindicalistas também contribuíram com sugestões e ideias ao final da plenária. Fabiano, delegado sindical na Agência Rua da Praia do banco, defendeu maior aproximação e união com outras categorias ameaçadas, no serviço público estadual. "Vamos agir em conjunto, trocando e distribuindo os nossos materiais de divulgação e os deles”.

Sérgio Hoff defendeu também o dialogo com outros setores, incluindo outras centrais sindicais, "criando solidariedade entre trabalhadores, e não só entre bancários”. Para ele, é preciso que os bancários também façam a defesa das demais empresas estaduais ameaçadas: "É imprescindível a a conscientização da sociedade”.

Fábio Soares Alves, ex-secretário geral do SindBancários, reforçou a necessidade de pressionar os parlamentares na Assembleia Legislativa, para que "eles não consigam o número de votos que precisam para alterar a Constituição, na questão do plebiscito”. Fabinho também apontou o caso do Besc, na vizinha SC: "Eles conseguiram federalizar o banco estadual, ele foi absorvido pelo Banco do Brasil e o que se vê hoje é uma situação extremamente complicada para os colegas de lá”, disse.

O secretário geral do Sindicato, Luciano Fetzner, falou sobre dois aspectos da comunicação em relação ao Banrisul. "Na rede social, temos uma fan page, com um jornalista social mídia e um analista de rendes e estamos divulgando as nossas lutas, mas é preciso considerar que a direita também vai trabalhar muito na internet contra nós e o contra o Banrisul público”, advertiu. Luciano também referiu-se à "mídia real”: "No dia a dia, temos que fazer a conversa com os colegas e conscientizá-los para as grandes mobilizações, pois é preciso juntar muita gente em nossos atos”.

Fetzner lembrou igualmente a questão dos concursados. "É fundamental intensificar a cobrança para a direção do banco para que faça o chamamento dos aprovados em concurso. Não podemos deixar cair a qualidade no atendimento ao público – porque está é uma tática do governo para colocar a sociedade contra o banco público”. Concluindo, sugeriu que se inverta a ordem das palavras: "Ao invés de dizer que estamos defendendo nossos empregos, é preciso destacar que o Banrisul é uma empresa que gera empregos para todo o Rio Grande do Sul”.

A diretora da Fetrafi-RS, Denise Falkemberg Correia, informou que a entidade está fazendo o chamamento de todos os 38 sindicatos da categoria no estado para fazer esta luta também no interior. "É necessário muito diálogo em todos os setores. Se Sartori conseguir os 33 votos para aprovar o fim do plebiscito, vamos ter que aumentar o diálogo com a população”. 

Ana Guimaraens, banrisulense e diretora de Comunicação do SindBancários, propôs reuniões também com os superintendentes do banco no Interior e também com a diretoria do Banrisul, para falarem sobre o que está acontecendo. "Internamente, este é o momento de esquecer as diferenças políticas ou de outro tipo e nos unirmos nesta mesma luta”, afirmou.

Encaminhamentos e calendário

Na reunião do Comando Nacional dos Banrisulenses, na sede da Fetrafi-RS, e na Plenária do Sindicato, foram tomadas uma série de decisões e encaminhamentos.

Dia 07/02 – Instalação de barracas do Sindicato na Praça da Matriz e em frente a DG do Banrisul.

Dia 16/02 – Nova Plenária de avaliação e preparação da Assembleia Nacional dos Banrisulenses.

Dia 18/03 – Assembleia Nacional dos Banrisulenses.
 

*Imprensa/SindBancários
Fotos: Anselmo Cunha

 


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