A lista de postos que mais criaram empregos formais no Brasil conta com ocupações de menor remuneração, como alimentador de linha de produção, faxineiro, auxiliar de escritório e servente de obras. Enquanto isso, os postos que lideraram as baixas no mercado formal são cargos de supervisão e gerência.
Pedro Rossi, professor do Instituto de Economia da Unicamp, aponta que essa diferença na criação de empregos entre pretos e pardos e brancos estaria ligada “a empregos de pior qualidade, mas não necessariamente de pior qualificação”.
O economista comenta que, após a perda de postos de trabalho em um período de crise, o mercado de trabalho vem voltando a abrir vagas, porém com remuneração menor na comparação com os postos fechados. Nesse sentido, os dados refletem a presença maior de negros e pardos em cargos de baixa remuneração, enquanto os brancos predominam em postos com salários maiores.
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que efetivamente o rendimento médio de negros e pardos é menor que o de brancos. Em 2017, o rendimento real de um trabalhador branco era de R$ 2.615, em média. Enquanto isso, o de um negro ou pardo era de R$ 1.516.
A diferença persiste mesmo quando os dados consideram pessoas com o mesmo nível de escolaridade – ou seja, a remuneração de trabalhadores brancos é maior que a de negros e pardos com o mesmo nível de estudo. Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgada no final de 2018.
O IBGE também mostra que, historicamente, o desemprego afeta negros e pardos de maneira mais intensa. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada em novembro de 2018, enquanto a taxa de desocupaçãio entre brancos é de 9,4%, entre pretos é de 14,6% e entre pardos, de 13,8%.
Os dados
Segundo o Caged, em 2018 as demissões de trabalhadores brancos superaram as contratações em 165 mil vagas. Enquanto isso, foram criadas 99 mil vagas para trabalhadores pretos e 325 mil para pardos. O fenômeno repete o que já havia sido registrado em 2017.
As 10 ocupações que mais geraram empregos formais:
- Alimentador de linha de produção: 100.061
- Faxineiro: 61.653
- Auxiliar de escritório, em geral: 56.511
- Servente de obras: 42.372
- Atendente de lojas e mercados: 37.079
- Repositor de mercadorias: 33.125
- Recepcionista em geral: 28.530
- Embalador, a mão: 27.497
- Assistente administrativo: 25.702
- Técnico de enfermagem: 24.420
As 10 ocupações que mais perderam empregos formais:
- Supervisor administrativo: -23.712
- Gerente administrativo: -20.350
- Gerente de loja e supermercado: -12.984
- Gerente comercial: -10.550
- Motorista de carro de passeio: -10.166
- Pedreiro: -9.425
- Gerente de vendas: -8.964
- Supervisor de vendas comercial: -8.505
- Cozinheiro geral: -8.213
- Conferente de carga e descarga: -8.173
Fonte: G1
Diretoria Executiva da CONTEC


