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| Artigo do secretário-geral do SindBancários de Porto Alegre e Região, Luciano Fetzner, analisa o histórico balanço obtido pelo Banrisul. |
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Aprendemos a associar personagem de um conto de fadas com segurança financeira. A galinha dos ovos de ouro, de "João e o Pé de Feijão”, significa sorte e garantia de futuro próspero. Essa mesma imagem pode ser evocada agora que o Banrisul, um banco público, rompe a barreira do bilhão de reais ao registrar o maior lucro de sua história.
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É preciso repetir: o Banrisul conquistou lucro líquido de R$ 1,053 bilhão, recorde em sua história – que chega a 90 anos em 12 de setembro – como banco público. Quer melhor notícia sobre a saúde financeira de um banco do que quebrar recorde de lucro? Pois o lucro líquido recorde, anunciado pela diretoria do banco e pelo governo do Estado na segunda-feira, 19/2, é mais uma evidência de que o Banrisul precisa continuar público.
Em 2007, a governadora Yeda Crusius lançou ao mercado 43% de todos os tipos de ações do Banrisul. Arrecadou, por essas ações, R$ 2 bilhões, sendo R$ 1,2 bilhão injetados diretamente no caixa do Estado. De 2007 até 2016, o Estado deixou de arrecadar quase o mesmo valor, cerca de R$ 850 milhões por ter vendido ações há 10 anos. Com o lucro recorde, já passamos do bilhão. Podemos dizer que, em dois anos, a venda de ações começa a dar prejuízo.
Essa história não pode se repetir agora.
O governador José Ivo Sartori lidera um grupo de gestores públicos cuja ideologia é enxergar o Estado como ente pesado e incompetente. O Banrisul, ao longo de sua história, prova exatamente o contrário: lucros sucessivos e parceria pública.
Então, por que vender ações do Banrisul? Os gestores que negociam o acordo de dívida lesivo para os gaúchos são os mesmos que pensam em vender ações do Banrisul. Em dezembro passado, o governo desistiu de vender ações do Banrisul, porque o valor médio dos papéis redundaria em negócio de R$ 1,8 bilhão a R$ 2,5 bilhões. Não paga dois meses de folha do funcionalismo público.
Seria um bom negócio para o Estado e para os gaúchos? Claro que não. Porque o Estado ficaria com apenas 26,5% das ações, metade do que tem hoje. E ficaria com metade do que recebe hoje do Banrisul em dividendos, podendo deixar de ser acionista majoritário e perder recursos para investir em saúde, educação, segurança e melhoria de estradas.
Chega de pensar em metades. Queremos o Banrisul público e inteiro. Quem sabe, ser mais duro com credores, renegociar juros, cobrar sonegadores e rever isenções fiscais trariam alívio mais imediato para a combalida finança pública. Desmontar uma empresa pública lucrativa mancha a história de qualquer gestor: vender o Banrisul é entregar a galinha para comprar ovos. Ovos de ouro!
Artigo do Bancário do Banrisul e secretário-geral do SindBancários de Porto Alegre e Região, Luciano Fetzner, publicado no Sul21..
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