• 22 de maio de 2014, 10:45
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Lucros dos bancos crescem e revelam que não há luz no fim do túnel

 
Santander foi o único que apresentou queda
 
 

A temporada de divulgação dos lucros trimestrais dos bancos brasileiros mostra uma verdade recorrente: os principais atores do sistema financeiro do país não têm do que reclamar. Com R$ 4,419 bilhões, o Itaú obteve gigantesco crescimento de 27,3% no lucro líquido nos três primeiros meses de 2014 na comparação com o mesmo período do ano passado. O lucro do Bradesco, de R$ 3,473 bilhões no trimestre, expandiu-se em 18% na comparação com os primeiros três meses de 2013.
 

 

Entre os cinco gigantes do sistema financeiro do país, três são instituições privadas (Itaú, Bradesco e Santander) e dois estatais (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil).  O Banco do Brasil, maior instituição financeira do país, registrou crescimento no lucro líquido de R$ 2,678 bilhões no período, valor 4,7% superior ao do ano passado (R$ 2,557 bilhões). O Santander foi o único entre os cinco maiores que apresentou queda: lucrou R$ 518,4 milhões, 14,9% menos do que o resultado de 2013.

No Brasil, esse lucro fácil e sem limites é impulsionado pelos juros altos, inerentes à política econômica baseada no chamado tripé macroeconômico vigente no Brasil desde 1999, ancorado no câmbio flutuante, metas de superávit primário e metas de inflação. A política de juros do governo federal está atrelada à inflação, segundo uma equação ouvida diuturnamente na mídia: quanto mais alta a inflação, maior a necessidade de elevação dos juros.

Apesar da aridez do tema, a explicação para a defesa dessa equação é simples: o Tesouro Nacional emite títulos que são comprados pelo mercado, ajudando o governo a honrar compromissos. Os bancos ganham quando o governo resgata esses títulos: quanto maior o juro, mais alto o lucro do mercado financeiro com os títulos do Tesouro Nacional, que, afinal, bancam a chamada "farra dos juros".

Os especialistas não identificados com a visão neoliberal da economia avaliam que a presidenta Dilma Rousseff tentou mudar essa lógica na primeira metade do mandato. As opiniões divergem quanto ao que veio depois; os motivos do aparente fracasso dessa tentativa. O governo Dilma reduziu gradativamente a Selic e conseguiu mantê-la em 7,25% até abril de 2013. A partir de então, depois de nove aumentos consecutivos, está hoje em 11%.

Solução difícil

No momento, não há luz no fim do túnel. Para Khair, o governo Dilma não foi suficientemente forte para conseguir mexer nas estruturas. O governo sucumbiu à pressão do sistema financeiro.

U medida seria colocar regras nas tarifas bancárias. Mas os bancos têm moleza nessas duas fontes, Selic e tarifas, e podem se dar ao luxo de selecionar os clientes, e cobrar taxas de juros de botar inveja em agiota.

Mas o enfrentamento ao "tripé macroeconômico" é complexo. Não tem saída fácil. Essa armadilha de juros altos e câmbio sobre-apreciado, característica típica de modelo neoliberal, domina o Brasil desde 1999, e tem o único objetivo de atender aos rentistas e financistas. E eles financiam uma parcela importante do setor público, R$ 200 a R$ 300 bilhões por ano são financiados por esse setor.
 

*Rede Brasil Atual

 


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