• 22 de abril de 2014, 10:06
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Itaú força doentes em São Paulo a passarem por médico do banco

O Itaú tem obrigado quem apresenta atestado com afastamento de mais de cinco dias a passar por consulta no médico do trabalho contratado pela instituição financeira. O novo procedimento está sendo adotado no CAT (Centro Administrativo Tatuapé) e no ITM (concentração na Vila Leopoldina) para operadores de atendimento e vem sendo muito criticado pelos trabalhadores.

De acordo com a direta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Valeska Pincovai, representantes do Itaú dizem que a medida, em fase de testes, faz parte de um programa de prevenção e saúde do trabalhador.

Porém, para os funcionários, a faceta "boazinha" do banco não passa de uma forma de ampliar a perseguição e discriminação aos adoecidos, afetados pelas próprias condições de trabalho - com metas abusivas e pressão constante.

Conflito de interesses
"O que os bancários falam é que essa mudança serve para mapear os doentes para perseguição e futura demissão. Além disso, é muita falta de ética, pois se o funcionário já passou por um médico que o afastou, por que tem de passar por outro profissional?", questiona a dirigente sindical.

Segundo denúncias feitas ao Sindicato, o médico do Itaú poderá contestar o atestado apresentado. "Há aí um conflito de interesses, já que há probabilidade de médico contratado pelo empregador não ser favorável ao trabalhador", afirma Valeska.

Transtornos
Outro problema é que, muitas vezes, os adoecidos não podem comparecer para levar o atestado. "O que é informado aos funcionários é que quem não levar o atestado em 48 horas terá falta injustificada. Ou seja, caso a pessoa não possa andar por causa de algum acidente ou doença e não tenha como mandar alguém levar, será prejudicada", critica a dirigente sindical.

A determinação de passar pelo médico do Itaú é mais uma das recentes medidas que têm causado transtorno ao trabalhador que precisa se afastar. Desde janeiro, bancários devem entregar documentos relativos a afastamentos diretamente ao gestor imediato, algo que era feito no Centro Administrativo da Praça Patriarca.

Por se tratar de assuntos complexos, muitas vezes os gerentes deixavam os documentos nas gavetas, sem andamento. Assim, afastados chegaram a receber comunicações para se apresentarem - de outro modo, seriam demitidos por abandono de emprego.

"Tudo isso só prova que o Itaú não respeita os trabalhadores e comprova nossa tese de que quando o trabalhador adoece, por más condições de trabalho especialmente por cobrança de metas, não serve mais para o banco e é jogado fora. Vamos cobrar mudanças", afirma Valeska. (Fonte: SEEB SP)


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