• 29 de março de 2018, 09:48
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Funcef vai processar bancos e gestores por perda bilionária

Além de frente judicial, fundo de pensão traça plano para vender ativos (Julio Wiziack)

Alvo da Polícia Federal, que investigou fraudes bilionárias em fundos de pensão, a Funcef (dos funcionários da Caixa Econômica Federal) reverteu R$ 10,6 bilhões de suas perdas no ano passado e traçou um plano jurídico e financeiro para evitar o colapso da instituição.

“Do jeito que estava, os planos [de previdência] não durariam 30 anos”, disse o presidente da Funcef, Carlos Fernandes em entrevista à Folha.

Terceiro maior fundo de previdência do país, com 135,9 mil associados, a Funcef destinou no passado

R$ 6 bilhões para compra de cotas de fundos de participação em projetos como Sete Brasil e Eldorado, investigados pela Polícia Federal por esquemas de corrupção e outras irregularidades.

“Perdemos R$ 4 bilhões com esses investimentos”, disse Fernandes.

Com o acordo de leniência do Grupo J&F, dos empresários Wesley e Joesley Batista, a Funcef receberá R$ 1 bilhão pelos prejuízos com o FIP Eldorado, criado pela holding dos Batista para ajudar a financiar uma fábrica de celulose da J&F.

Recentemente, a Funcef vendeu sua participação nesse fundo por R$ 660 milhões.

Com a Petrobras, uma arbitragem discute os prejuízos com a Sete, empresa criada em 2010 para construir e alugar sondas de perfuração do pré-sal para a petroleira. A expectativa é que recebam R$ 2,5 bilhões.

Em outra frente, a fundação pedirá indenizações na Justiça aos bancos e gestores responsáveis pelos FIPs.

A iniciativa ganhou força depois que o Bradesco pagou R$ 37 milhões à Funcef pelos problemas na gestão do FIP Enseada, que financiou um projeto na área de tecnologia, também investigados pela PF.

A fundação registrou perdas com os FIPs RG Estaleiro, Multiner, Operações Industriais, entre outros.

IMPASSE

Segundo Fernandes, avançam as negociações com a Caixa para tentar resolver uma pendência histórica.

A fundação é ré em 16 mil ações na Justiça movidas por associados da Funcef que pedem a revisão de benefícios. Estima-se que o estoque dessa dívida potencial gire em torno de R$ 16 bilhões.

Em 2016, a Funcef reservou R$ 2,5 bilhões para fazer frente a processos desse gênero em que considerava haver chance de derrota.

Esse valor corresponde, em média, a 30% dos processos judiciais.

A partir de agora, no entanto, a Funcef só destinará R$ 1,4 bilhão.

A mudança, segundo Fernandes, se deve a um novo entendimento no Poder Judiciário sobre o papel da fundação e o da Caixa nessas discussões. Ainda segundo ele, o banco concordou em arcar com sua parte desse passivo, mas não revelou o valor.

Cerca de 80% do passivo da fundação se deve a esse tipo de pendência. metas

Além da estratégia jurídica de reversão de perdas, a Funcef também traçou planos financeiros.

“Nada disso teria sentido se a gente não revisasse o plano de investimento e a própria meta de rentabilidade”, disse Fernandes.

“Um terço dos investimentos não seguiam a meta definida e 40% dos cenários traçados na política de investimento não se sustentam em trinta anos.”

Por isso, no fim do ano passado, o conselho da fundação reduziu a meta de rentabilidade de 12,5% ao ano para 7,69%.

“Não dá para ter uma rentabilidade tão elevada num cenário de juro e inflação baixos e que tende a prevalecer no longo prazo”, disse o presidente da fundação.

CARTEIRA

Hoje, 60% da carteira está concentrada em renda fixa (títulos do Tesouro). Ou seja: as chances de retorno elevado são mínimas. Outros 20% estão em ações, e a Vale é considerada pela Funcef a “joia da coroa”.

Com a retomada do setor, a companhia de mineração voltou a ter suas ações valorizadas nas Bolsas. Foram R$ 650 milhões neste ano.

No total dos investimentos, a Funcef obteve uma reversão de R$ 4 bilhões. Sem esse resultado, o déficit acumulado da Funcef teria sido de R$ 6,5 bilhões. No final, fechou em R$ 2,5 bilhões.

INVESTIMENTOS

Diante do novo cenário, a Funcef definirá nos próximos meses sua política de investimentos numa tentativa de amenizar o impacto das perdas para os futuros aposentados.

Segundo o presidente da fundação, Carlos Fernandes, uma das ideias é vender aplicações que já estão “maduras” —como ações que atingiram o patamar máximo de valorização.

A Vale é o principal exemplo. A fundação colocou cerca de R$ 1 bilhão na mineradora. Em 2015, viu essa participação cair à metade. Em 2017, com a retomada do setor e da produção na China, a Vale ganhou força e a fatia da Funcef na empresa passou para R$ 660 milhões.

A exemplo da Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, a Funcef também planeja esperar um pouco mais para se desfazer dessas ações, que podem se valorizar.

“Com o dinheiro da venda, vamos rever também a política de equacionamento dos planos [de aposentadoria]”, disse Fernandes.

Hoje, dos R$ 10,6 bilhões que foram depositados na Funcef, mais da metade foi bancada pelos próprios associados. “É possível que a gente possa reduzir a duração desse equacionamento.”

Em muitos casos, os associados já pagam 20% a mais nas suas contribuições para cobrir o buraco da Funcef. (Fonte: Folha.com)

 


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