• 15 de fevereiro de 2016, 09:11
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Carta do presidente Sérgio Rial do Santander a funcionários é puro assédio moral

Comunicado do novo presidente do Santander faz do crédito da PLR motivo para mais cobrança e pressão, e representa ameaça velada aos bancários quando diz que “o passado não garante o presente, muito menos o futuro” (Andréa Ponte Souza)

O que deveria ser motivo de comemoração e de parabenizar os funcionários do Santander, que merecidamente recebem PLR cheia no dia 19 de fevereiro, virou justificativa para mais cobranças, pressão por metas e assédio moral. Em carta endereçada aos funcionários (veja abaixo), na sexta-feira 5, o novo presidente do banco, Sérgio Rial, fala da satisfação “em poder pagar (...) a melhor PLR da nossa história, este ano”. Mas logo em seguida revela a verdadeira intenção do documento: exigir que os bancários intensifiquem o já elevado ritmo de trabalho e se esforcem ainda mais na fidelização de clientes e na venda de produtos.

“Dia 19 de fevereiro esse crédito será feito em suas contas”, lembra o presidente, para logo em seguida chegar ao ponto: “Peço para que reflitam: o passado não garante o presente e muito menos o futuro”. E prossegue: “Volto a dizer, apesar do seu caráter de excepcionalidade, estamos pagando a maior PLR que já pagamos, poucas empresas podem falar isso hoje para os seus funcionários. Pensem nisso quando entrarem nas agências e nos locais de trabalho todos os dias”.

Para a diretora executiva do Sindicato e bancária de SP do Santander, Maria Rosani, trata-se de uma ameaça e alusão velada ao risco de demissão, medo constante entre os funcionários. “O presidente do banco lembra ao trabalhador que não importa se ele bateu a meta no mês passado, ou se foi um excelente profissional durante todo o ano. O que importa para a empresa é se está batendo a meta agora. Ou seja, ele torna claro que se o funcionário não der seu sangue e sua qualidade de vida todos os dias para o banco, ele pode ser descartado.”

Rial perdeu uma grande oportunidade de se apresentar adequadamente aos funcionários, ressalta Rosani. “Ele usou a PLR, um direito do trabalhador, para assediar moralmente o bancário. Numa clara demonstração de que o assédio no Santander não é resultado da prática isolada de um gestor ou outro, mas é algo institucional na empresa.”

Cobranças
O comunicado prossegue com as cobranças: “A nossa linha de receita com os clientes sofreu e, dado o entorno macro, peço que cada um aumente o grau de intensidade do relacionamento comercial”.

Sérgio Rial, que fala em nome do Comitê Executivo do banco, exige ainda mais esforços dos gerentes-gerais. “Gostaria que todos os gerentes-gerais se tornem, em breve, (aqueles que ainda não o fazem) responsáveis por um portfólio de clientes tanto PJ quanto PF. Gerentes-gerais não são gerentes de Atendimento sênior, mas sim os grandes bandeirantes, levando nossa bandeira comercial aos pequenos negócios, aos melhores clientes a serem adquiridos, e trabalhando dia e noite para reter os existentes.”

Maria Rosani destaca que os gerentes-gerais já são altamente pressionados. “Eles já são responsáveis por portfólios de clientes. Já são cobrados todos os dias e como se não bastasse isso, agora são pressionados diretamente pelo presidente do banco”, critica.

A dirigente ressalta que foi o esforço dos funcionários do Santander que conseguiu ampliar o número de clientes do banco no ano passado: de 31,4 milhões em 2014 e passou a 33,5 milhões em 2015. “Ou seja, crescimento de 6,6% e em um ano de retração da economia”, diz ela, acrescentando que, com isso, também cresceu a intensidade de trabalho do bancário. “Se em 2014 havia 637 clientes por bancário no Santander, essa relação subiu para 670 em 2015. Mas ao invés de o presidente parabenizar os trabalhadores pelo desempenho, Rial cobra que trabalhem ‘dia e noite’”.

Ela destaca ainda o trecho final do documento em que o executivo conclui: “Acelerem de verdade, já que as curvas são muitas e é nelas, como dizia Senna, que se ganha a corrida”. Segundo a dirigente, o presidente do banco pede claramente que os bancários se arrisquem. “E as vidas dessas pessoas, e suas famílias? Onde ficam nessa equação?”, questiona. (Fonte: Seeb SP)



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