©2012 Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Erechim e Região
Todos os direitos reservados
Avenida Maurício Cardoso, 335, Sala 202
CEP 99700-426 - Erechim - RS
Fonex/Fax: (54) 3321 2788
seeb@bancarioserechim.org.br



A Odebrecht fez uma transação sigilosa com a Caixa Econômica Federal em 2014 para cobrir um buraco milionário para construção da Arena do Corinthians, palco da abertura da Copa no Brasil.
O dinheiro, gasto pela empreiteira no estádio, não tem prazo para retorno. Para ajudar a Odebrecht a recuperá-lo, o banco estatal comprou debêntures emitidas pela empreiteira no valor de ao menos R$ 350 milhões.
Debêntures são títulos de crédito lançados ao mercado para captar recursos. Na prática, funciona como um empréstimo. A Odebrecht terá que devolver esse recurso à Caixa com juros.
O ex-presidente do Corinthians e atual deputado federal Andrés Sanchez (PT-SP), que participou do projeto de construção da arena, confirmou à Folha a transação, mas disse que não comentaria o negócio porque o acerto foi feito entre a Caixa e a Odebrecht, sem envolver o clube.
Em 2014, a Odebrecht fez uma única emissão de debêntures, com valor próximo do socorro da Caixa, com vencimento em 2021, segundo pesquisa feita pela reportagem.
A empreiteira foi contratada pelo Corinthians em 2011 para erguer o estádio. Pelo plano original, um financiamento do BNDES no valor de R$ 400 milhões seria utilizado para bancar parte da obra.
O restante seria quitado com R$ 420 milhões em créditos cedidos pela Prefeitura de São Paulo –os Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CIDs). 
O financiamento do BNDES, feito via Caixa, só saiu em março de 2014 e um impasse surgiu em relação aos CIDs: uma ação judicial questionou a validade do benefício municipal. Isso espantou os poucos empresários interessados em comprar os certificados, mesmo com o atrativo de descontá-los do pagamento de impostos.
PRESSÃO
A Odebrecht, mesmo sem os recursos, concluiu a obra a tempo da abertura da Copa. Ou seja, com o estádio entregue e em uso, já com o dinheiro recebido do BNDES, havia ainda um buraco de R$ 420 milhões decorrente do impasse em torno das CIDs.
Foi aí que a Caixa decidiu comprar os papéis da Odebrecht. Segundo a Folha apurou, a operação foi estruturada porque a arena não tinha garantias suficientes para recorrer a outro banco.
Marcelo Odebrecht, então presidente da companhia, atuou diretamente para agilizar os empréstimos e pressionou a Caixa para que o dinheiro fosse liberado com poucas garantias.
O executivo está preso em Curitiba há um ano e quatro meses e foi condenado a 19 anos de prisão por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro descobertos pela Operação Lava Jato.
INADIMPLÊNCIA
Antes de comprar as debêntures que ajudaram no financiamento da obra do Itaquerão, a Caixa Econômica Federal aceitou ser o banco repassador do empréstimo de R$ 420 milhões feitos pelo BNDES ao fundo de investimento imobiliário criado por Corinthians e Odebrecht.
O clube começou a pagar as parcelas do financiamento em julho de 2015. As mensalidades de cerca de R$ 5 milhões deixaram de ser quitadas no último mês de março.
Neste momento, o clube está inadimplente, com a permissão do banco público. O Corinthians tenta ampliar a carência acertada de 17 meses que venceu em 2015.
O clube argumenta que outras arenas da Copa do Mundo de 2014 tiveram um período maior, de 36 meses. A Caixa pede mais garantias para conceder tempo ampliado para o pagamento das parcelas.
Considerando o aumento do preço da obra e despesas com instalações temporárias para o Mundial, o estádio custou R$ 1,2 bilhão.
Se mantiver o pagamento da dívida no prazo estipulado, o Corinthians terá desembolsado ao menos R$ 1,64 bilhão, em valores atuais, considerando os juros, como revelou a Folha em julho.
PADRINHO
Desde início do plano para a execução da obra que levantaria o estádio do Corinthians, o ex-presidente Lula e o ex-presidente da Caixa Jorge Hereda foram entusiastas do projeto.
Em uma das fases da investigação da Lava Jato, a Polícia Federal encontrou menção a um pagamento da Odebrecht para um vice-presidente do Corinthians.
Desde então, o Itaquerão entrou na mira da PF.
OUTRO LADO
A reportagem procurou a Odebrecht e a Caixa Econômica Federal e enviou perguntas específicas sobre a emissão e compra das debêntures. Por meio de sua assessoria, a instituição financeira pública informou que as operações envolvendo a Arena Corinthians são protegidas por sigilo bancário. Por isso, afirmou que não iria se manifestar sobre o caso.
A assessoria de imprensa da construtora Odebrecht informou que, neste momento, não iria se pronunciar sobre a operação no estádio.
A empresa e seus executivos negociam um acordo de leniência e de colaboração com a força-tarefa da Lava Jato, que prendeu diretores e o ex-presidente da companhia. (Fonte: Folha.com)
©2012 Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Erechim e Região
Todos os direitos reservados
Avenida Maurício Cardoso, 335, Sala 202
CEP 99700-426 - Erechim - RS
Fonex/Fax: (54) 3321 2788
seeb@bancarioserechim.org.br
Municípios da Base: Erechim, Aratiba, Áurea, Barão do Cotegipe, Barra do Rio Azul, Barracão, Benjamim Constant do Sul, Cacique Doble, Campinas do Sul, Carlos Gomes, Centenário, Cruzaltense, Entre Rios do Sul, Erebango, Erval Grande, Estação, Floriano Peixoto, Gaurama, Getúlio Vargas, Ipiranga do Sul, Itatiba do Sul, Jacutinga, Machadinho, Maximiliano de Almeida, Marcelino Ramos, Mariano Moro, Paim Filho, Paulo Bento, Ponte Preta, Quatro Irmãos, São José do Ouro, São João da Urtiga, São Valentim, Severiano de Almeida, Três Arroios, Viadutos, todos no Estado do Rio Grande do Sul.