• 29 de maio de 2015, 16:00
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Caixa segura balanço devido a exigências de auditores e do BC

Exigências do Banco Central e da auditoria Ernst Young levaram a Caixa Econômica Federal a atrasar a divulgação do balanço do primeiro trimestre em mais de 15 dias. O balanço era aguardado para meados de maio. (Valdo Cruz e Toni Sciarretta)

O BC e os auditores exigiram mudanças em relação à classificação de risco dos empréstimos do banco. 
Essas carteiras de crédito são classificadas em nove níveis: quanto maior o risco, maior deve ser a provisão para perdas (reserva de recursos para eventual calote).

Pedro Ladeira/Folhapress A presidente da Caixa, Miriam Belchior, no dia em que tomou posse no banco estatal A presidente da Caixa, Miriam Belchior, no dia em que tomou posse no banco estatal A porcentagem de reserva obrigatória varia de 0 a 100%. Segundo o BC e a auditoria, a Caixa atribuiu a algumas carteiras risco menor que o recomendado. O banco terá agora que mudar a classificação e, assim, reservar provisões maiores, o que deve reduzir o lucro no período.

O mesmo fenômeno –lucro reduzido por reservas para casos de inadimplência– ocorreu nos resultados apresentados pelo Banco do Brasil e pelos bancos privados.

Uma das linhas que mais exige provisões é a dos financiamentos do Minha Casa Melhor, de compra de móveis e de eletrodomésticos com juros subsidiados, suspenso em fevereiro. Lançado em junho de 2013, permitia empréstimos de até R$ 5.000 com juros de 5% ao ano.

Outra linha de financiamento com inadimplência elevada é a de compra de materiais de construção, cujos desembolsos também foram reduzidos neste ano.

Também chamaram atenção o aumento dos gastos da Caixa com marketing, o que levou à desistência de novos patrocínios, especialmente a times de futebol.

A Folha apurou que pendência com o BC já foi solucionada, mas as exigências dos auditores da Ernst Young ainda precisam de pequenos ajustes contábeis. A expectativa é que o impasse seja superado na próxima semana e que o balanço saia sem ressalvas dos auditores.

O banco chegou a marcar uma data indicativa para a divulgação dos resultados no último dia 20, mas não houve avanço nos entendimentos com os auditores. Como a Caixa não tem ações na Bolsa, não precisa cumprir a exigência da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) de divulgar resultados até 45 dias após o final do trimestre.

Apesar do atraso, assessores relatam que o clima no banco é de tranquilidade e que todas as pendências estão sendo resolvidas.

No ano passado, a Caixa teve lucro de R$ 7,1 bilhões, resultado 5,5% maior do que em 2013. A inadimplência subiu de 2,3% para 2,56% de 2013 para 2014, refletindo o forte crescimento nos empréstimos, que somaram R$ 605 bilhões. O ritmo de expansão do crédito, no entanto, desacelerou de 36,8% para 22,4% de 2013 para 2014.

Procurada a Caixa, informou que o balanço está em fase final de aprovação, seguindo os trâmites usuais. A previsão é que a divulgação ocorra na próxima semana. A Ernst Young disse não poder comentar, por exigência do contrato com a Caixa.

INFERNO ASTRAL DO 1º TRIMESTRE 

MINHA CASA MELHOR Inadimplência elevada fez a Caixa suspender, em fevereiro, programa que financiava a compra de até R$ 5.000 em móveis e eletrodomésticos para famílias beneficiadas pelo Minha Casa Minha Vida

FUGA DA POUPANÇA Banco perdeu pelo menos R$ 7 bilhões em depósitos no primeiro trimestre de 2015 e precisou restringir os empréstimos para habitação com recursos da caderneta

JURO DA CASA PRÓPRIA Caixa elevou duas vezes (janeiro e abril) a tabela de juros do financiamento imobiliário com recursos da poupança; os empréstimos para habitação popular, como o programa Minha Casa, Minha Vida, permaneceram com as taxas congeladas

IMÓVEIS USADOS Para ajudar as construtoras a desovarem o estoque de imóveis encalhados, a Caixa passou a financiar no máximo 50% dos imóveis usados

CORTE DE R$ 25 BILHÕES Diante de recursos escassos da poupança, banco cortou em R$ 25 bilhões a expectativa de desembolsos para novos empréstimos para habitação neste ano. Previsão inicial era financiar até R$ 125 bilhões, mas deve ficar em R$ 100 bilhões. (Fonte: Folha.com)

 


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