• 28 de janeiro de 2019, 11:07
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BRUMADINHO MOSTRA AO MUNDO QUE BRASIL NÃO APRENDEU COM TRAGÉDIAS DO PASSADO

Daniel Buarque

"Uma barragem que retinha resíduos de mineração de ferro estourou no Brasil — de novo". Esta frase é o título de uma reportagem publicada pelo site jornalístico Quartz sobre a tragédia em Brumadinho, e resume a percepção internacional sobre o caso.

Visto de fora, o desastre é uma repetição do passado trágico de Mariana, e mostra que o Brasil parece não ter aprendido as lições que deveriam ter saído do que em 2015 foi visto como "apocalíptico", mas totalmente possível de evitar.

"O desastre é a repetição de um pesadelo para a região: outra barragem de mineração estourou três anos antes, a apenas 75 quilômetros de distância, no mesmo estado de Minas Gerais, matando 19 pessoas e causando o que é considerado o pior desastre ambiental da história do Brasil", explica o Quartz.

A ideia de repetição aparece em quase todas as reportagens sobre o caso na imprensa internacional — e o caso ganhou atenção em todos os principais veículos da mídia estrangeira, com publicação de reportagens e dezenas de fotos e vídeos que ampliam ainda mais a visibilidade global da tragédia.

Por mais que a cobertura inicial esteja mais presa à narrativa do que aconteceu, com poucas análises mais aprofundadas, a comparação inevitável com a tragédia de Mariana reforça a ideia de que o país mais uma vez deixou que o era evitável acontecesse.

A tendência é que Brumadinho tenha um impacto tão negativo para a imagem do Brasil quanto a tragédia de Mariana, que em 2015 foi vista como um dos principais fatores que pioraram a reputação do país no resto do mundo. Com a ideia de repetição de tragédias, Brumadinho pode ter um saldo ainda pior.

Observando em retrospecto, foi possível ver que o desastre em Mariana acabou sendo um dos assuntos relacionados ao Brasil com maior evidência no resto do mundo em 2015. Na época, em meio à crise, ele se juntou a reportagens sobre turbulências políticas e econômicas em um ano de más notícias sobre o país, que parecia afundar no lamaçal, como retratou uma capa da revista "The Economist".

Poucos dias após o desastre, já era possível encontrar mais de mil menções ao caso em outros idiomas, além do português. Na ocasião, análises detalhadas dos impactos ambientais, sociais, políticos e econômicos do rompimento da barragem dominaram a atenção do resto do mundo, e um dos principais focos da análise estrangeira era a busca por responsáveis pelo desastre. O caso era associado frequentemente às ideias de "negligência e erro humano", como dizia uma das primeiras reportagens sobre o caso. É de se esperar um tom semelhante a respeito do caso de Brumadinho.

Além da ideia de repetição de tragédias, a atenção internacional também vai se voltar para a reação do governo recém-inaugurado de Jair Bolsonaro. Em 2015, a reação do governo de Dilma Rousseff foi vista como "caótica", e mostrou a falta de liderança no país. Agora, já se usa a ideia de que o caso vai ser um teste para Bolsonaro, especialmente pela atenção em torno da forma como o novo governo vai lidar com questões ambientais no país. (Fonte: UOL)

 

 


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