• 17 de maio de 2018, 09:51
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BC SURPREENDE MERCADO, INTERROMPE QUEDA DOS JUROS E MANTÉM TAXA SELIC EM 6,5%

 

Pressionado pela alta do dólar, Banco Central mantém taxa de juros no mesmo patamar anterior após 12 cortes consecutivos desde 2016. Confira

O Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou nesta quarta-feira (16) que decidiu manter a taxa básica de juros ( Selic ) em 6,5% ao ano, interrompendo sequência de 12 cortes seguidos que vinha desde outubro de 2016. A decisão surpreendeu o mercado que esperava mais um corte para 6,25% ao ano, mas foi justificada pela alta do dólar.

Na última reunião, realizada em março, o  Banco Central tinha projetado um corte moderado nos juros programado para a reuniao dessa quarta-feira, mas o cenário econômico não evoluiu como o esperado. Sendo assim, o Copom recuou e decidiu não confirmar a queda na taxa. De qualquer forma, essa continua sendo a taxa básica de juros mais baixa desde que a Selic foi criada em 1996, após a consolidação do Plano Real de 1994.

Em comunicado, o BC foi sincero que afirmou que "os últimos indicadores de atividade econômica mostram arrefecimento", além de que o cenário externo está "mais desafiador" desfavorável para países emergentes que não conseguem controlar tão bem o fluxo cambial de suas moedas. Na prática, um dos principais fatores que levaram o Brasil a não cortar seus juros é a percepção do mercado de que os Estados Unidos devem aumentar a sua própria taxa.

Além disso, a nota do Banco Central também faz referência às "frustrações das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira" que poderiam levar a uma alta da inflação no futuro. Um combate que o BC estabeleceu como prioridade para cumprir a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Impacto na inflação
Por falar em inflação, o relatório do Copom também revisou a sua previsão da inflação para 2018 e 2019. Os economistas do Banco Central reduziram sua perspectiva de 3,8% para 3,6% nesse ano.

A meta do governo é de 4,5%, mas o sistema permite uma margem de tolerância de 2 p.p. para mais ou para menos para não considerar a meta descumprida. Dessa forma, a se confirmar as projeções, a inflação ainda está dentro do projetado pelo governo. O mercado financeiro, por sua vez, projeta uma inflação de 3,45% ao final do ano. Já a previsão de inflação do BC para 2019 também foi reduzida de 4,1% para 3,9%.

Esses dados são importante porque os juros tem impacto relativamente direto na inflação. Quando a inflação está alta (acima da meta) ou as estimativas indicam que ela poderá sair do controle, o BC eleva a Selic como forma de tentar conter o crédito "na praça" e assim conter a alta dos preços com base na lei da oferta e da procura.

Do outro lado, quando a inflação está muito baixa, a tendência é que a taxa de juros seja derrubada para que, com mais dinheiro disponível, o consumo seja estimulado e os preços voltem a subir.

Nesse caso específico, com a desvalorização do real frente ao dólar verificada nos últimos dias, os preços também são pressionados. Dessa forma, o Copom ganhou mais um argumento para manter a taxa estável e avaliou que precisava agir para impedir isso depois que outras ações tomadas pelo Banco Central, como a ofera de dólares de suas reservas no mercado, não trouxeram os resultados esperados.

Previsões e perspectivas
O documento divulgado pelo comitê também informou que o BC não deve alterar a taxa de juros também na próxima reunião. Eles avaliaram que "a evolução do cenário básico e, principalmente, do balanço de riscos tornou desnecessária uma flexibilização monetária adicional [redução da taxa de juros] para mitigar o risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas", diz a nota.

Dessa forma, a previsão é de que "nas próximas reuniões, o comitê vê como adequada a manutenção da taxa de juros no patamar corrente [6,5%]. O Copom ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação", encerrou. (Fonte: Brasil Econômico)

 

 


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