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Em meio à especulação do mercado e a pressões dentro do governo, o Banco Central disse nesta quinta-feira (24) de forma explícita que não planeja reduzir os juros antes das eleições presidenciais, apesar da desaceleração econômica. (Eduardo Cucolo)
A instituição afirmou que a atividade segue para o campo desinflacionário. Ainda assim, a inflação ficará resistente nos próximos trimestres. Por isso, a "estratégia" é manter a taxa básica em 11% ao ano para que a inflação recue. A previsão do BC é que o índice oficial de preços ao consumidor (IPCA), ainda assim, só volte a ficar próximo da meta de 4,5% em 2016.
Nos 12 meses até junho, o IPCA acumula alta de 6,52%, já acima do teto da meta. "Mantidas as condições monetárias - isto é, levando em conta estratégia que não contempla redução do instrumento de política monetária - [a inflação] tende a entrar em trajetória de convergência para a meta nos trimestres finais do horizonte de projeção [que vai até meados de 2016]."
A afirmação faz parte da ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) realizada na quarta-feira da semana passada (16). Naquele dia, a instituição manteve os juros em 11% ao ano.
A próxima reunião do Copom está marcada para 3 de setembro. Uma semana antes, será divulgado o resultado do PIB (Produto Interno Bruto), que pode mostrar retração na economia e até recessão.
Depois, o comitê só volta a se reunir na última semana de outubro, ou seja, depois da data marcada para o segundo turno das eleições. Na última semana, pessoas da equipe econômica afirmaram à Folha que não procedia a especulação do mercado de que o comunicado da decisão de quarta-feira deixava aberta a possibilidade de corte de juros em setembro.
Em algumas áreas do governo, no entanto, havia informações de bastidores de que uma recessão obrigaria o BC a mudar de ideia antes das eleições.
SEM RECESSÃO Tony Volpon, chefe de pesquisas para mercados emergentes do Nomura Securities, afirmou que, ao sinalizar que não haverá corte de juros, a instituição deixa claro que não compra a ideia de que o Brasil está entrando em recessão, o que poderia justificar uma mudança na política monetária.
Disse ainda que o corte de juros ajudaria muito pouco na recuperação da atividade, mas pioraria as expectativas de inflação. Para a consultoria LCA, o BC apontou que, a despeito do enfraquecimento da atividade, não avalia a possibilidade de redução da taxa Selic no curto prazo.
"O BC emite dois sinais bastante claros: a Selic não deverá cair no curto prazo, como os mercados passaram a especular nas últimas semanas, mas tampouco deverá voltar a subir, caso a inflação trilhe a atual trajetória esperada."
Sobre a previsão do BC de melhora da inflação em 2016, Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, afirma que isso só se tornará realidade se houve ajuda da política fiscal e reformas econômicas estruturais.
"Ao descartar a possibilidade de corte da taxa na próxima reunião, o Banco Central não só ajuda a reduzir o ruído no mercado de renda fixa, mas também atua para conter um aumento das expectativas de inflação", afirmou Rostagno.
INFLAÇÃO Na ata, o BC também piorou seu cenário sobre o comportamento dos preços. Pelo cenário de referência (Selic a 11% e dólar a R$ 2,20), a projeção para a inflação de 2014 e de 2015 foi elevada sobre o valor do documento anterior e permanece acima do centro da meta.
O BC também passou a ver mais alta nos preços das tarifas de energia elétrica neste ano, a 14%, frente aos 11,5% até então. Ao mesmo tempo, passou a ver menor redução nos preços de telefonia fixa, a 3,8%, ante 4,2%.
No geral, manteve em 5% suas contas para a alta nos preços administrados. (Fonte: Folha.com)
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