• 30 de setembro de 2014, 13:51
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Bancários entram em greve nacional e a culpa é outra vez dos bancos

 
Enquanto lucros crescem, empregos são reduzidos e filas aumentam
 
 

Lucros nas alturas, ganhos gigantescos com o que cobram de tarifas e juros abusivos. Apesar de tirarem tanto da sociedade brasileira, o que os bancos devolvem são milhares de desempregados, trabalhadores adoecidos, filas gigantes para conseguir atendimento.

Assim, só os banqueiros se dão bem. Economizam com salários, adoecem seus empregados e tiram de você, cliente, que engorda esse cofre pagando altos juros e tarifas abusivas, a qualidade no atendimento.

Por tudo isso, a partir de 30 de setembro os bancários vão parar em todo o Brasil. A greve, definida em assembleias realizadas, é a única forma de pressão que restou aos trabalhadores, depois de rodadas de negociações que não trouxeram avanços.

A campanha dos bancários é por aumento real para os salários, piso, participação nos lucros, vales e auxílios, mas é também por melhorias nas condições de trabalho e de atendimento ao público. Os empregados dos bancos sofrem com a sobrecarga, diante do corte de milhares de postos de trabalho nos últimos anos. E adoecem em função da pressão por metas de venda de produtos. Os clientes, por sua vez, padecem nas filas, com o pagamento das altas tarifas e dos juros abusivos. Contamos com sua compreensão e participação para mudar essa história.

Lucros e demissões

Nos primeiros seis meses do ano, o lucro dos cinco maiores bancos - Banco do Brasil, Caixa, Itaú, Santander e Bradesco - bateu nos R$ 28,5 bilhões, valor 16,5% maior do que o mesmo período no ano passado (R$ 24,4 bilhões). Por outro lado, devolveram para a sociedade uma legião de desempregados. Só no primeiro semestre de 2014 foram 5.331 bancários a menos.

Desde janeiro de 2012 até julho de 2014 o número de postos de trabalho fechados pelas instituições financeiras - exceto a Caixa, que ainda contrata - já chegou a 18.990.

Tarifas e sobrecarga

Apesar das altas tarifas cobradas dos clientes, por conta das demissões não há trabalhadores suficientes para prestar o bom atendimento devido.

Nos primeiros seis meses de 2014, os cinco maiores (Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander) arrecadaram R$ 49,7 bilhões com o que cobram dos clientes, valor 10% maior que nesse período de 2013.

Com esse dinheirão, conseguiriam pagar todos os funcionários, com sobras. Mas não é isso que fazem! Preferem demitir e aumentam o que vai para os cofres dos banqueiros. O resultado são agências lotadas, piora na qualidade dos serviços e a vida de clientes e bancários transformada num verdadeiro inferno.

Um exemplo desse quadro: enquanto o número médio de funcionários nas agências caiu 2,2% entre junho de 2013 e de 2014, o volume de crédito por empregado cresceu 18,5% nos cinco maiores bancos (BB, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander) e a quantidade de contas correntes que cada bancário cuida cresceu 5%

Juro astronômicos

A exploração dos bancos sobre a sociedade vem também na forma de uma das maiores taxas de juros do mundo. A média do cheque especial em junho foi de 171% ao ano (alta de 34,7 ponto percentual em 12 meses). No crédito pessoal foi de 100,3% (alta de 27,5 ponto percentual em um ano). Enquanto cobram isso para emprestar, pagam 11% ao ano (a taxa oficial do mercado, a Selic) para conseguir esse mesmo dinheiro.

A ganância, que é uma marca do setor, também está comprometendo a renda dos brasileiros.

Estudo feito pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostra que a prestação mensal de um financiamento de R$ 1 mil, tomado, por exemplo, em junho deste ano, foi de R$ 39,87. O valor é 3,5% maior do que a prestação de R$ 38,54 paga um ano atrás (descontada a inflação medida pelo IPCA). Por outro lado, de acordo com o Dieese, o aumento real médio conquistado pelas categorias no 1º semestre foi de 1,54%.

 

*Seeb São Paulo

 


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