


Crise empurra milhões de famílias para faixas mais pobres, reduz o consumo e aumenta a desigualdade (Fernando Jasper)
Após mais de uma década de expansão da “nova classe C”, o Brasil pode estar assistindo ao advento da “nova classe D”. O rápido avanço do desemprego está empurrando milhões de famílias – entre elas, muitas das que ascenderam à classe média na última década e meia – para faixas mais baixas de renda.
O fenômeno já provoca uma sensível mudança nos hábitos de consumo, evidente na forte queda das vendas do comércio e da contratação de serviços. Em paralelo, a desigualdade cresceu pela primeira vez desde o início do século.
As estimativas sobre o encolhimento da classe média variam, uma vez que cada instituição adota um critério próprio na hora de definir quem está em cada estrato social. A consultoria Tendências, por exemplo, projeta que entre 2015 e o fim de 2017 cerca de 3,1 milhões de famílias da classe C – com renda mensal entre R$ 1.958 e R$ 4.720 – terão regredido às classes D e E. O número é pouco menor que o das famílias que fizeram movimento oposto entre 2006 e 2012, quando cerca de 3,3 milhões subiram à faixa intermediária, conforme o mesmo estudo.
O Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, que situa na classe média quem tem renda familiar entre R$ 1.646 e R$ 6.585, calcula que 6,3 milhões de pessoas que estavam nessa faixa – ou mesmo acima dela – desceram à base da pirâmide entre novembro de 2014 e novembro de 2015. Assim, a população inserida nas classes A, B e C, que atingiu o pico de quase 130 milhões de pessoas no fim de 2014, recuou para pouco mais de 123 milhões no fim do ano passado. Em termos relativos, esse grupo recuou de 68,5% da população total para 65% em apenas 12 meses.