• 03 de julho de 2019, 09:23
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Associação critica liberação do CADE para compra de 11% da Ticket pelo Itaú

 
(Por Antonio Temóteo)

A decisão do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) de autorizar o Itaú Unibanco a comprar 11% da Ticket, empresa que administra benefícios como vale-alimentação e vale-combustível, foi criticada por entidades que podem ter os negócios afetados. O presidente da Unecs (União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços), Paulo Solmucci, declarou que a operação é ruim para empresas e para os clientes porque contribui para o crescimento da verticalização no mercado de meios de pagamento.

A verticalização ocorre quando há domínio de um grande conglomerado em diferentes setores de uma mesma atividade econômica. No caso, além de um banco, o Itaú é dono de empresas de seguro, corretora de valores, tem o próprio banco de investimentos e no mercado das maquininhas de cartão é controlador da Rede.

"A verticalização é danosa para o país porque desestimula a concorrência. O Brasil já convive com taxas de juros abusivas para os clientes. Temos que acabar com isso. Um mesmo grupo econômico não pode controlar todos os elos da cadeia. Sobretudo, no mercado bancário. Apesar de uma derrota, a decisão do Cade mostrou que dentro do governo há pessoas contrárias a esses movimentos de concentração", disse.

Governo está atento ao mercado, diz Solmucci
Solmucci declarou que a votação apertada, com desempate pelo presidente do Cade, Alexandre Barreto, é um sinal de que o governo está atento para o que acontece no mercado. Dois conselheiros, incluindo o relator, votaram pela reprovação do negócio, enquanto outros dois votaram pela aprovação sem restrições. Barreto deu o último voto favorável ao negócio.

A operação foi aprovada pela Superintendência-Geral do Cade, em março. A superintendência é a instância responsável por dar o aval a operações consideradas mais simples. Os negócios, entretanto, podem ser revistos pelos conselheiros no plenário do órgão. Nesse caso, o processo foi reaberto após questionamento da Unecs.

Itaú afirma que operação é "pró-competitiva"
O Itaú afirmou em nota que a operação é pró-competitiva e a aprovação sem restrições pela Superintendência Geral do CADE, confirmada pelo Tribunal do CADE, reforça esse entendimento.

"Ela acrescenta novos produtos a serem oferecidos aos clientes corporativos do Itaú Unibanco e envolve pequena participação (minoritária) no capital da Ticket Serviços, com direitos típicos de acionistas minoritários e meramente protetivos do investimento, permanecendo a Ticket Serviços independente em relação ao Itaú Unibanco e à Rede e não trazendo preocupações concorrenciais", declarou o banco. (Fonte: 
 


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