Gladir Basso, Presidente do Sindicato dos Bancários de Cascavel e Região e da Federação da classe no Paraná, bem como diretor da Confederação Nacional da categoria (Contec), concede entrevista ao periódico jornalístico pitoco de Cascavel
Bancos brasileiros têm lucros astronômicos às custas de altíssimos juros e tarifas. Figuram entre os maiores do mundo em rentabilidade sobre o patrimônio.
Os banqueiros brasileiros vivem na fartura e nenhuma crise econômica os alcança. Os bancos no Brasil estão entre os maiores no mundo em rentabilidade sobre o patrimônio líquido. Tudo isso às custas de altíssimas tarifas e dos juros nas nuvens, cobrados de seus clientes e usuários que, no dia a dia, precisam dos serviços bancários.
Estamos iniciando a campanha salarial deste ano. E, mais uma vez, sabemos que a resistência dos banqueiros em conceder reajuste salarial e aumento real de salários será grande, apesar dos seus lucros elásticos ano após ano. Nesta campanha salarial, os bancários estão reivindicando reposição com base no INPC dos últimos doze meses, mais aumento real de 5%, além de outras cláusulas econômicas e sociais.
A lucratividade dos cinco maiores bancos no País - Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa - em 2017, por exemplo, foi de R$ 77,4 bilhões, e no primeiro trimestre de 2018, de R$ 16,9 bilhões, alta de 8,5% em comparação com igual período do ano passado, comprovando que essas instituições não têm do que reclamar.
O Brasil é o campeão em spread bancário. A diferença entre o que os bancos cobram aos consumidores em empréstimos e o que gastam para captar recursos é de 38,4%. No Quirquistão, por exemplo, o spread é de 17,1% e, na Bolívia, 5,6%.
Os bancos brasileiros estão entre os maiores no mundo em rentabilidade sobre o patrimônio líquido. O Itaú está em primeiro lugar com 18%, o que representa US$ 437,802 em ativos totais. Na quinta posição aparece o Bradesco, que possui 14,62% (US$ 359,447). O BB, com 11,37% (US$ 436,979), está em nono lugar. Já o Santander Brasil ficou em décimo primeiro. Apresentou US$ 197,404 em ativos total e 11,8% de rentabilidade.
Apesar dos lucros exorbitantes, as organizações financeiras não deixam de ameaçar os bancários. De 2016 para 2017, o Bradesco fechou 9.985 postos de trabalho. Passou de 108.793 para 98.808. Na Caixa, a redução no período foi de 7.324. Em 2016 eram 94.978 empregados e passou a 87.654, no ano passado.
No BB, onde o governo segue com a política de desmonte, foram registrados 1.461 funcionários a menos no período (eram 100.622 e caiu para 99.161). Não é novidade que os clientes são penalizados com a ganância dos bancos. Os usuários pagam uma conta alta com serviços e tarifas bancárias, que, sozinhas e com folga, pagam a folha de pagamento dos funcionários.
Em 2017, o Bradesco, Itaú, Caixa, Banco do Brasil e Santander somaram R$ 126,4 bilhões em receitas com prestação de serviços e tarifas. Já a cobertura das despesas com o pessoal no período foi de 114,4% no Bradesco, 160,2% no Itaú, na Caixa foi de 104,90%, no BB 117,92% e 171,71% no Santander. Esses percentuais mostram que é possível pagar toda a folha de pagamento e ainda ter sobras de aproximadamente 15% do valor.
Os bancos ganharam em 2017, somente em tarifas, o valor de R$ 27 bilhões. Nesse mesmo ano, os bancos reajustaram em média as tarifas em 78%.
Com relação aos juros cobrados pelo sistema financeiro, vale lembrar o absurdo cobrado com relação ao cheque especial, que em abril de 2018 chegou à taxa de 328,21%. Quanto ao cartão de crédito, o juro rotativo, nesse mesmo mês, chegou à taxa de 429,65%. (Fonte: Pitoco)
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