• 09 de outubro de 2017, 10:31
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Previ terá ranking de governança

Depois da crise de credibilidade que abateu os fundos de pensão, por conta de investimentos mal sucedidos, a Previ, maior fundação do Brasil com um patrimônio de mais de R$ 177 bilhões, se blindou e alterou sua política de investimento para integrar, em suas regras, a obrigação de apenas investir em empresas que tenham estrutura firme de governança corporativa, com a adoção de um ranking interno.

“Além de todos os critérios já adotados, que protegeu a Previ, estamos introduzindo uma mudança de cultura. Queremos dizer ao mercado e ao investidor a vir conosco e investir em governança e integridade, que isso agrega valor e é tão importante quando eficiência operacional”, afirma o presidente da Previ, Gueitiro Genso, em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado. Segundo ele, o Brasil chegou em um momento em que o mercado irá premiar também os padrões de governança e integridade.

Como exemplo, diz, está o caso da Vale, no qual a Previ faz parte do grupo de controle e companhia na qual Genso é presidente de seu conselho de administração. Por lá, a empresa está seguindo o caminho para migrar ao Novo Mercado, depois de realizar uma oferta para converter as ações preferenciais em ordinárias, o que a tornará, no final do processo, uma “corporation”, ou seja, sem controle definido.

“As empresas estão olhando esse movimento. O mercado se adapta ao que os investidores estão procurando. Ao propor essa mudança na política de investimento queremos iniciar essa discussão e deixar claro que valorizaremos esse quesito”, explica. Entre os itens a serem analisados nas companhias, antes da decisão de investimento, está existência de estruturas de compliance e ouvidoria, por exemplo, e como eles funcionam na prática.

A mesma análise que será feita nas companhias, antes dos investimentos, será feita nos Fundos de Investimentos em Participações (FIP), veículos que foram muito questionados na Operação Greenfield, que exatamente investigou os investimentos realizados por fundos de pensão.

“O FIP é um investimento de longo prazo e essa carteira precisa ser diversificada, para sobressair do risco sazonal. A lógica da carteira é de que ela produza resultado”, afirma. No Plano 1 da Previ, o maior da fundação, os investimentos estruturados respondem por 0,55% da carteira e apresentaram no acumulado deste ano até agosto uma rentabilidade de 20,89%. Para outros investimentos nessa classe de ativos, questões de governança corporativa, incluindo sobre o gestor, também estarão na pauta.

“Precisamos olhar a carteira. Não podemos condenar os veículos. Estamos vendo as taxas de juros caindo e os investidores institucionais terão que tomar mais risco”, destaca.

Outro mito no mercado, frisa Genso, são as debêntures de infraestrutura, segmento no qual fundos de pensão de todo o mundo alocam capital. “Por ter havido problemas e mau feitos, carimbou-se que é ruim”, diz. Ele afirma que o objetivo não é entrar em projetos em leilões, mas sim em debêntures de infraestrutura. Para ele, se esse papel tiver a devida garantia, a Previ analisará aportes. “As garantias são importantes, além da certeza de que haverá saída”, diz.

Fonte: Jornal de Brasília

Diretoria Executiva da CONTEC


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