• 11 de julho de 2019, 10:48
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Brasileiros sofrem de esgotamento mental pelo trabalho

 
 

 

A maioria dos profissionais de empresas já sofreu com algum problema na saúde mental por causa do trabalho, segundo um levantamento da empresa de recrutamento Talenses com mais de 1.400 pessoas.

Quase metade dos respondentes (49%) diz já ter sofrido crises de ansiedade, enquanto 44% afirmam já ter tido síndrome de burnout, esgotamento mental decorrente do estresse profissional. Apenas 25% dizem que nunca tiveram transtornos do tipo. Para mais de 70% deles, o trabalho foi uma forte contribuição para o resultado.

Entre os profissionais consultados, mais da metade ocupa cargos de gerência e alto escalão. Quase 85% afirmam que conhecem alguém que sofre ou já sofreu com transtornos do tipo, e mais de 70% dizem que ou conhecem alguém que já se afastou do trabalho por causa do estresse ou já foram eles mesmos afastados.

Em maio, a Organização Mundial da Saúde incluiu a síndrome de burnout na sua Classificação Internacional de Doenças, lista usada como referência por especialistas do mundo todo. Ela foi descrita como “síndrome resultante de um estresse crônico no trabalho que não foi administrado com êxito”.

A maioria atribui esses transtornos a situações que se tornaram mais comuns nas empresas brasileiras desde o início da crise: pressão por resultado (61%), excesso de horas trabalhadas (55%) e a acumulação de funções (52%). Cerca de 40% citam ainda a insatisfação com o ambiente de trabalho e 35% afirmam sofrer assédio moral.

Para Luiz Valente, CEO da Talenses, além do impacto direto da necessidade de fazer mais com menos, esse cenário acaba deteriorando a cultura das empresas e o ambiente do trabalho. “Isso vem corroendo os valores das organizações, as relações vão ficando mais difíceis e isso prejudica enormemente o trabalho. Ao mesmo tempo, o profissional olha para fora e vê 13 milhões de desempregados, e muitos colegas e amigos sem emprego. É uma espiral negativa que vai se fechando em torno dele.”

A pesquisa aponta que as empresas não estão preparadas para lidar com esses temas. Apenas 11% dos respondentes afirmam que o RH da companhia oferece suporte adequado para profissionais com transtornos mentais. A maioria acha que a área não está estruturada para agir nessas situações. “A organização que quer tratar desse assunto precisa inicialmente tratar da própria liderança. Se uma organização quer ser saudável, tem que ter uma liderança saudável, equilibrada e madura”, diz. Entre os respondentes, sessões de mentoria e coaching, horários flexíveis e a possibilidade de trabalhar de casa foram as ações mais citadas como potenciais auxílios para diminuir o estresse no ambiente de trabalho.

Nos processos de recrutamento executivo conduzidos pela Talenses, Valente diz que ainda é uma espécie de tabu afirmar que o profissional quer equilíbrio entre vida pessoal e profissional no novo emprego. Ele diz, no entanto, que isso está começando a mudar. “Hoje é mais comum encontrar profissionais que externam claramente que querem conhecer a cultura da organização e o ambiente de trabalho antes de decidir, para ver se faz sentido com o que eles estão buscando”, afirma.

Fonte: Valor

Diretoria Executiva da CONTEC


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