• 07 de maio de 2019, 09:46
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Ato dos bancários de Porto Alegre protesta contra jornada ilegal no Santander

 
 
Entre às 8h da manhã e às 11h, apenas um cliente se apresentou para ser educado.
 
 
O Santander criou um subterfúgio para tentar burlar a legislação trabalhista e abrir a agência bancária localizada na Avenida Oswaldo Aranha, bairro Bonfim, na manhã deste sábado (4), em Porto Alegre. A pretexto de realizar um serviço de "educação financeira”, o Santander convocou em todo o país bancários para serviço "voluntário”.
Em Porto Alegre, a ação do Sindicato combateu a jornada ilegal, dialogou com clientes e colegas e buscou demonstrar que o melhor caminho para um banco "ensinar” seu cliente é reduzir valores de taxas e tarifas e dos juros abusivos que todo o sistema bancário cobra.
 
Desde a manhã, a agência ficou fechada. Entre às 8h da manhã e às 11h, apenas um cliente se apresentou para ser educado – o banco divulgou que havia agendado atendimentos – procurou a agência para receber orientações.
 
"A jornada de trabalho dos bancários é de seis horas de segundas a sextas-feiras. O banco diz que os colegas são voluntários. Mas não foram eles que criaram esse projeto de voluntariado. Foi o banco”, observa o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.
 
O presidente do Santander Brasil, Sergio Rial, divulgou um vídeo em março deste ano no Youtube, exaltando a importância de os bancários atuarem como "educadores” financeiros. A certa altura do vídeo, Rial fala dos juros: "Sabemos também que juros baixos não são mais importantes, de forma alguma, do que o suor, determinação, técnica, caráter”. 
 
 Traduzindo: Rial acha que pode explorar o trabalhador sem precisar reduzir juro e ampliar a chance de os bancários fazer negócio. "Está claro que o Santander quer criar uma habitualidade. E usa o voluntariado para motivar os bancários. Os bancários já educam os clientes quanto a importância de pensar nas finanças e fazer os melhores investimentos durante toda a semana de trabalho legal”, ponderou o secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT e funcionário do Santander, Mauro Salles.

Colegas motivados

Por volta das 11h do sábado, bancários de várias agências vestiram um jaleco de voluntários para mostrar que estavam engajados na "política educacional” do banco e registraram em seus celulares a imagem do seu engajamento. O diretor do SindBancários e também funcionário do Santander, Luiz Cassemiro, disse compreender a motivação dos colegas, mas também falou da função do Sindicato.
 
"Os colegas precisam confiar no Sindicato. Estamos aqui protestando contra esse projeto do Santander para defender o interesse dos trabalhadores. Se o Santander tivesse mesmo interesse no trabalho dos bancários, reduziria os juros e as taxas que cobra de seus clientes. Isso facilitaria para o bancário prospectar negócios, porque os clientes teriam mais dinheiro”, explicou. 

O banco é que precisa se educar

Se já ficou claro que o ato do Sindicato visava demonstrar que o voluntariado não passava de uma tentativa de naturalizar uma cultura de exploração do trabalho, o fato é que, quem precisa de educação financeira é o banco espanhol. O Santander divulgou, na última quinta (2), lucro líquido de R$ 3,485 bilhões no primeiro trimestre deste ano. O valor representa crescimento de 21,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
 
E por que é o Santander que precisa de educação? Ora, os clientes e mesmo os brasileiros precisam saber que nem todo o resultado de todo o trabalho dos bancários, a riqueza que os trabalhadores produzem para o Santander fica no país. Isso porque o lucro no Brasil respondeu neste primeiro trimestre por 29% do lucro mundial.
 
É preciso dizer que o slogan "simples, pessoal e justo” que o banco usa em materiais de publicidade e propaganda está distante da verdade. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) comparou as 20 tarifas cobradas pelos maiores bancos – Itaú, Bradesco, Caixa e BB, além do Santander. O banco espanhol apresentou as tarifas mais caras em 12 dessas 20 tarifas estudadas.
 
Então, se o Santander quer educar a população, precisa trabalhar com mais transparência. Porque muitos dos clientes não sabem que o banco espanhol é o campeão em tarifas mais caras. "Nós gostaríamos de saber se essa educação financeira vai incluir esclarecimentos sobre o que o cliente paga de tarifas e os juros que o banco cobra em empréstimos, no cartão e no cheque especial”, acrescentou o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

Contexto de ataques aos direitos

A prova mais cabal de que o Santander usa a educação financeira como pretexto para forçar uma habitualidade já tem número na Câmara dos Deputados. O Projeto de Lei 1043 foi apresentado pelo deputado federal David Soares (DEM-SP), em 20 de fevereiro deste ano na Sala de Sessões da Câmara dos Deputados. O projeto recém tramita, mas como tantos outros que atacam os direitos dos trabalhadores, pode ser acelerado a qualquer momento.
 
Para o diretor do SindBancários e secretário de Comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr, o que o Santander está fazendo é pressionar os bancários, que já sofrem com pressão por meta abusiva e adoecimento, a impor uma nova legislação.
 
"A reforma trabalhista que passou a vigorar em novembro de 2017, a terceirização e agora a reforma da Previdência fazem parte de um contexto de retirada de direitos dos trabalhadores. O Sindicato está fazendo o seu papel muito bem ao defender os direitos dos bancários num contexto político de ataques”, concluiu o dirigente.
 
Não é a primeira vez que um Projeto de Lei tramita na Câmara dos Deputados Federais para tentar impor trabalho aos sábados aos bancários. O PL 9075/2017 também percorreu caminho semelhante em 2017. Mas foi encerrado em janeiro deste ano e arquivado. Graças à pressão das confederações, federações e sindicatos dos bancários. Graças a atos como o deste sábado dos dirigentes do SindBancários.
 
 

 


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